DO SERTÃO PARA O MUNDO: varzeense Antônio Marco faz história na Maratona de Berlim, é o 2º melhor brasileiro e termina em 70º entre milhares de corredores

O nome de Várzea, no interior da Paraíba, atravessou o Oceano Atlântico e ganhou destaque em um dos maiores palcos do atletismo mundial. O maratonista varzeense Antônio Marco Pereira de Araújo alcançou neste domingo, 27 de setembro, mais um resultado marcante para sua trajetória esportiva ao disputar a BMW Berlin Marathon 2026, na Alemanha, uma das provas mais importantes e tradicionais do planeta.

Antônio Marco terminou a competição como o segundo melhor brasileiro na prova e na 70ª colocação geral, um resultado de enorme expressão diante do nível internacional da disputa e da quantidade de atletas presentes em Berlim.

A dimensão da conquista fica ainda mais evidente quando observamos os números da competição. Segundo a própria organização, mais de 56 mil corredores de 162 países estavam inscritos na edição de 2026. A Maratona de Berlim possui os tradicionais 42,195 quilômetros e faz parte do seleto circuito das grandes maratonas mundiais, reunindo atletas de elite e milhares de corredores de diferentes nacionalidades.

Berlim também é mundialmente conhecida por possuir um percurso extremamente rápido. Suas ruas largas e o traçado favorável transformaram a capital alemã em cenário de algumas das maiores marcas da história da modalidade. Foi justamente em Berlim, por exemplo, que o queniano Eliud Kipchoge estabeleceu, em 2022, o então recorde mundial masculino de 2h01min09s.

E a edição de 2026 voltou a apresentar performances extraordinárias. No masculino, o etíope Guye Adola conquistou o título com 2h02min50s, seguido pelo também etíope Gemechu Dida, com 2h03min19s, enquanto Gabriel Geay, da Tanzânia, terminou em terceiro com 2h03min59s.

Entre as mulheres, a etíope Tigst Assefa protagonizou outro momento histórico. Ela venceu em 2h11min04s, estabelecendo novo recorde do percurso feminino e registrando a terceira melhor marca da história da maratona feminina até então. Assefa chegou a correr em ritmo de recorde mundial até próximo dos 40 quilômetros, mas enfrentou um problema físico nos quilômetros finais.

Foi em meio a esse cenário de altíssimo nível internacional que estava um filho de Várzea-PB.

UMA HISTÓRIA CONSTRUÍDA COM TRABALHO, SACRIFÍCIO E CORRIDA

O resultado na Alemanha ganha um significado ainda maior quando se conhece a trajetória de Antônio Marco.

Natural de Várzea, no Vale do Sabugi, Antônio Marco deixou sua terra natal e chegou a Piracicaba, no interior de São Paulo, em 2008, em busca de melhores condições de vida. Sua história no atletismo não começou dentro de uma grande estrutura profissional. Pelo contrário: a corrida surgiu depois de uma aposta entre amigos e, aos poucos, aquilo que inicialmente era uma atividade de lazer começou a transformar sua vida.

Mesmo alcançando resultados de alto nível, Antônio Marco continuou conciliando o esporte com o trabalho. Sua rotina já foi marcada por treinos iniciados por volta das 5 horas da manhã, seguidos pela jornada profissional como garçom e, posteriormente, por novos treinamentos. Uma realidade muito diferente daquela vivida por atletas que podem se dedicar exclusivamente ao esporte.

O talento, aliado à disciplina, fez com que aquele varzeense que começou a correr quase por acaso passasse a frequentar provas importantes do calendário nacional e internacional.

Antes de chegar a Berlim, Antônio Marco já havia construído um currículo respeitável. Ele disputou diferentes edições da Maratona de Porto Alegre, participou da Maratona do Rio, correu a Maratona de Sevilha, na Espanha, e tornou-se um dos grandes nomes recentes da Maratona Internacional de Floripa.

Foi justamente em Florianópolis que viveu um dos capítulos mais importantes de sua carreira. Em 2024, Antônio Marco foi campeão da Maratona Internacional de Floripa estabelecendo a marca de 2h17min01s, que permaneceu como recorde masculino da competição até 2026.

E não parou por aí.

Em 2025, voltou a vencer a prova e tornou-se bicampeão. Já em 2026, terminou novamente no pódio, na terceira colocação. Com isso, passou a integrar um grupo extremamente restrito na história da competição: desde a criação da Maratona Internacional de Floripa, em 2017, apenas dois homens conseguiram subir ao pódio masculino em três edições consecutivas. 

A evolução do atleta também aparece entre os melhores tempos brasileiros. Antes da disputa de Berlim, Antônio Marco figurava entre as principais marcas nacionais da maratona em 2026, graças ao tempo de 2h17min18s, obtido em Porto Alegre no dia 31 de maio.

DE VÁRZEA PARA BERLIM

Chegar à Maratona de Berlim já representa um capítulo especial para qualquer corredor. Competir em alto nível e aparecer entre os primeiros colocados transforma a participação em algo ainda maior.

Antônio Marco não estava simplesmente enfrentando outros brasileiros. Ele dividia o percurso com alguns dos melhores maratonistas do planeta, em uma competição que reuniu representantes de 162 países e que terminou com uma das performances combinadas mais rápidas da história da prova.

Ao longo dos 42 quilômetros e 195 metros, o varzeense percorreu algumas das avenidas e regiões mais conhecidas da capital alemã até chegar ao emblemático Portão de Brandemburgo, cenário que se tornou símbolo mundial da Maratona de Berlim.

Por trás de cada quilômetro percorrido havia uma história muito maior.

Era o atleta que nasceu em uma pequena cidade do interior paraibano enfrentando corredores de diferentes partes do planeta. Era o trabalhador que precisou durante anos conciliar profissão e treinamento chegando a uma das maiores maratonas do mundo. Era o menino de Várzea transformado em maratonista internacional.

E, principalmente, era o nome de Várzea-PB sendo levado para o outro lado do mundo através do esporte.

UM ORGULHO VARZEENSE

A trajetória de Antônio Marco mostra que a distância entre uma pequena cidade do Sertão da Paraíba e os grandes palcos esportivos internacionais pode ser enorme no mapa, mas pode ser vencida com talento, oportunidade, preparação, disciplina e persistência.

Cada conquista construída pelo atleta ajuda a escrever também uma página da história esportiva de sua terra natal.

De Várzea para Piracicaba. De Piracicaba para as grandes provas brasileiras. Do Brasil para a Espanha. E agora, da Paraíba para Berlim, na Alemanha.

Entre dezenas de milhares de participantes e atletas de mais de 160 países, um varzeense esteve lá, encarou os 42,195 quilômetros de uma das maiores maratonas do planeta e cruzou a linha de chegada carregando consigo uma história que começou a milhares de quilômetros dali.

Antônio Marco Pereira de Araújo continua correndo atrás de seus limites. E, a cada chegada, leva Várzea junto com ele.