Diretor do Presídio Romero Nóbrega faz revelações para jornalista sobre rebelião, em Patos

“As coisas aqui mudaram e agora funcionam dentro das regras. Isso revolta muitos, mas estamos fazendo o certo e isso é a nova política dentro do Presídio Procurador Romero Nóbrega”, disse o diretor do presídio Jardson Fonseca ao jornalista Jozivan Antero durante a manhã desta quarta-feira, dia 27/11.

Ainda demonstrando sinais de cansaço devido à tensão ocorrida durante várias horas da noite desta segunda, que adentrou a madrugada também da terça-feira, dias 25 e 26, respectivamente, Jardson Fonseca relatou que o motim se deu por motivos do fim das regalias, do rigor na averiguação de visitantes e pela aplicação do que está na Lei de Execuções Penais.

O diretor confessou que já foram presas mais de 20 pessoas que tentaram entrar com produtos ilícitos dentro do presídio; redobrou o número de celulares apreendidos com os apenados; está se aplicando o cumprimento das regras do semiaberto e os processos administrativos por mau comportamento e insubordinações estão em andamento. “Aqui é uma prisão e as pessoas parecem que não querem entender isso. Existem regras que precisam ser cumpridas. Você sabe o quanto temos feito apreensões de objetos. Várias mulheres foram presas por portar objetos nas partes íntimas e estamos tendo mais cuidado com isso. Esse tipo de averiguação é realizado por Agentes Penitenciárias, como é lógico, mas pedimos mais atenção”, relatou Jardson.

Sobre as denúncias de maus-tratos e problemas com a comida, o diretor disse que deixa a vontade qualquer entidade dos direitos humanos e também da justiça para averiguar. “É um absurdo se insinuar que a comida é estragada. Os próprios presos, muitos deles, isso é claro, ajudam na cozinha e se fosse detectada qualquer irregularidade os próprios presos fariam suas denúncias através de advogados, direitos humanos, imprensa e etc. Tem que ser dado um desconto em tudo que é dito, pois afinal ninguém disse que a comida é 5 estrelas, mas não há irregularidades nela. Isso você mesmo pode ver”, disse o diretor.

Em relação ao diretor-adjunto, Leandro, que foi questionado sobre seu trato com os apenados, Jardson Fonseca, disse: “Leandro é meu adjunto e tem meu respeito e confiança. Mas confesso que posso ouvir as denuncias sobre ele e não tenho problema algum em averiguar. Não sou do tipo que tolera excessos. Você que é da imprensa sabe que faz uns 15 dias que foi preso um agente penitenciário daqui por questões de facilitação de produtos ilícitos. Eu não defendo os que usam do seu cargo para cometer abusos ou coisas do tipo”, disse Jardson.

A reportagem pode presenciar os novos colchões para repor os danificados e equipamentos eletrônicos que serão instalados, entre esses 16 câmeras de vídeo e uma dessas com capacidade de visualização com ângulo de 360 graus que será instalada no pátio. Um detector de metais, tipo banco (foto), será disponibilizado para evitar o constrangimento da verificação íntima. A presença de metal ou celular é detectada com sinal de luz e sinal sonoro tipo bip.

O diretor falou do sistema de opção para trabalho e educação dentro do presídio, mas lamentou que poucos queiram participar. “Aqui temos cursos técnicos, ensino fundamental e médio. Alguns apenados também podem fazer vestibular. Mas sabemos que aqui não é o paraíso, pois temos falhas e queremos acertar”, disse Jardson.

O diretor concederá uma entrevista ao vivo neste sábado, dia 30 de novembro, ao meio dia na Rádio Espinharas de Patos.

Fonte: Jozivan Antero – Patos Online