Paraíba tem celular demais e usuário vive crise do 'caladão'

Há um bom tempo que ter um celular já se tornou algo praticamente indispensável. Com promoções cada vez mais atrativas, não é difícil encontrar quem já é cliente de mais de uma operadora e na Paraíba a quantidade de linhas já ultrapassa a casa dos 4,3 milhões, número superior ao total de habitantes do estado (3,7 milhões).

A popularização do celular, entretanto, tem encontrado problemas na qualidade do serviço prestado. As panes estão cada vez mais frequentes e o sinal está se tornando precário até mesmo na capital, quando as ligações são interrompidas por problemas na rede. Os motivos destes problemas, segundo especialistas em telecomunicações, necessitam de um estudo mais aprofundado, mas a raiz pode estar na desproporção de investimentos em infraestrutura perante o crescimento na quantidade de clientes.

Para se ter uma ideia da diferença entre a quantidade de novos clientes e os investimentos, entre os anos de 2004 e 2011, a evolução da quantidade de Estações de Rádio Base (ERBs) - equipamentos que fazem a conexão entre os telefones celulares e a companhia telefônica - foi mais de 200 pontos percentuais menor que a evolução na habilitação de novas linhas.

Segundo dados fornecidos pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), enquanto que a quantidade de linhas de telefonia móvel cresceu 455,3% (passando de 761,6 mil acessos em 2004 para 4,2 milhões de acessos em 2011), a quantidade de ERBs cresceu 202,18% (passando de 275 em 2004 para 831 no ano passado).

Para o especialista em telecomunicações e professor do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia da Paraíba (IFPB), Joabson Nogueira, apesar dos problemas de fluxo de dados das operadoras não estar atrelado apenas à quantidade de ERBs instaladas, a desproporcionalidade das novas instalações diante do número de linhas vendidas pode ser um indício dos motivos. “Este aumento muito maior na quantidade de novos clientes pode significar a piora na qualidade do serviço”, comentou.

“Mas o problema é que não se tem mais informações sobre estes investimentos das operadoras. Somente sabendo a quantidade de ERBs não temos como saber a capacidade de atendimento. Além disto, não é divulgada a quantidade de canais ativos em cada antena nem outros detalhes que seriam importantes para sabermos o que realmente tem causado estas interrupções no serviço”, acrescentou Nogueira.

O professor Michel Dias, que também é especialista em telecomunicações, ressalta que por causa da falta de informações das empresas sobre os problemas que ocasionam as panes na rede de telefonia móvel, não é possível dizer com precisão qual seria a solução mais viável para que o serviço de telefonia móvel fosse prestado de maneira mais satisfatória para os usuários.

“O problema pode ser uma coisa ocasional em algum equipamento, mas pode ser também algum planejamento que foi feito e a empresa não contava com tal quantidade de acessos. Um sistema de telecomunicações, se bem planejado, não apresenta problemas com tanta frequência”, comentou Dias.

A assessoria de imprensa da Anatel, agência reguladora responsável, entre outras coisas, pela fiscalização dos serviços de telefonia móvel, informou que frequentemente são realizados testes da qualidade de serviço e fiscalizações para identificar possíveis problemas. Nos casos em que acontecem interrupções no serviço, a Anatel informou que são realizadas investigações para identificar a causa do problema e são tomadas as medidas cabíveis a depender de cada caso.

Com relação à desproporção entre os índices de crescimento na quantidade de linhas habilitadas e na quantidade de ERBs, a assessoria de imprensa da Anatel informou apenas que não é possível precisar qual a capacidade de fluxo de dados de cada estação sem que seja realizado um levantamento detalhado.

Jornal da Paraiba

Internet encurta distância e serve para unir famílias

Até os anos de 1990 só havia praticamente duas opções para se comunicar com pessoas em lugares distantes: telefone ou carta. O primeiro era rápido, porém caro. O segundo tinha a vantagem da economia, mas era preciso ter paciência para esperar notícias do parente ou amigo distante. A tecnologia evoluiu e nos anos 90 outros meios se popularizaram, como o fax e a internet. Muitas famílias então ‘virtualizaram’ para se adequar às diferenças de tempo e lugar e amenizar a saudade.

Telma Queiros foi uma das pessoas que desde cedo teve que conviver com a ideia dos filhos morando longe de casa e acompanhou de perto a evolução da comunicação, porque sempre precisou muito dela para ter notícias dos filhos. Ela conta que em 1991, com apenas 12 anos, a sua filha mais velha fez a primeira viagem para os Estados Unidos e entre idas e vindas ficou de vez no exterior.

“Nessa época as cartas demoravam 15 dias para chegar de um endereço a outro. Lembro da chegada do fax e com a ajuda de amigos que tinham no trabalho eu e meu marido conseguimos ter notícias mais rápidas, até finalmente comprarmos um, à prestação, de tão caro que era”, detalha Telma, contando que posteriormente a família adquiriu um computador e depois chegou a internet. “A maior alegria de todas foi quando começamos a usar e-mails e nem imaginava que com o contínuo avanço da tecnologia eu teria o prazer de falar via internet em tempo instantâneo e ver através da webcam os meus filhos”, comentou.

Hoje, com todos os filhos (três) morando fora e ainda cinco netos, ela revela que as conversas on-line são constantes. Mesmo com a tecnologia a favor, Telma diz que no começo foi muito difícil lidar com a distância. “Muitas lágrimas e noites mal dormidas, agora tudo está mais fácil, menos dolorido, mas não consigo ficar muito tempo longe deles. Atualmente, tenho ido duas vezes por ano visitá-los, ainda assim preciso recarregar as baterias da saudade quando volto e posso fazer isso graças à internet”, afirma.

Assim como a família de Telma, o aposentado Paulo Vamberto, de 64 anos, aprendeu a conviver com a saudade e usa programas de conversa instantânea para se comunicar com a filha que está morando na Holanda. Até as confraternizações em família são compartilhadas via internet. “A gente se fala quase todo dia e se vê através do Skype”, diz, revelando que não conhecia o programa, mas assim que tomou conhecimento dele procurou instalá-lo no computador.

“Às vezes a gente faz churrasco em casa no domingo e ela fica acompanhando de lá. A gente com a cervejinha e ela com o vinho”, brinca o aposentado. “Só o fato de ligar o computador e saber que a outra pessoa está on-line já dá uma sensação que o outro está presente, é como se estivesse perto”, completa.

O arquiteto Ahned khaled, de 48 anos, teve uma experiência um pouco diferente. Apesar de ser brasileiro, natural do Estado de São Paulo, há cerca de 30 anos ele vivia em Portugal, onde casou e teve filhos. Há sete meses, ele voltou para o Brasil por motivos de trabalho e parte da família ficou na Europa: o filho mais velho, Daniel, de 28 anos, e a filha Gabriela, de 19 anos; enquanto a esposa e outros dois filhos também vieram para o Brasil. Apesar da separação física, Khaled revela que frequentemente entra em contato com a família pela internet e até faz reuniões ‘on-line’ para discutir assuntos familiares.

“Não é igual ao ‘ao vivo’ mas é uma forma de se comunicar e estar mais próximo. A tecnologia tem esses benefícios”, diz Khaled.

Jornal da Paraiba

Álcool e energético representam uma mistura perigosa

A música embala e para curtir a noite sem cansaço a moçada já adotou uma receita: álcool com energético. A mistura mascara o efeito da primeira substância e deixa a pessoa 'mais ligada' - tudo isso porque a cafeína contida nos energéticos provoca a aceleração do metabolismo, diminuindo o sono e fazendo com que o indivíduo pense que está muito bem e que pode continuar bebendo até o final da festa.

E é aí onde está um dos perigos dessa associação. A pessoa pode não perceber, mas o corpo sente todos os efeitos da bebida e o coração é um dos órgãos mais prejudicados.

Segundo o cardiologista Ricardo Queiroga, “a associação pode desencadear vários tipos de arritmia (alteração na fre- quência normal de batimentos do coração), inclusive uma taquicardia maligna - aceleração do coração que pode levar à morte súbita”.

Além disso, apesar de a pessoa está em um estado de vigília, a coordenação motora e o reflexo estão diminuídos. Por isso, dirigir ou fazer qualquer outra atividade que exija concentração será arriscado. “A resposta do organismo à ingestão da bebida com cafeína vai variar de indivíduo para indivíduo. Mas além dos próprios efeitos da intoxicação por cafeína, a substância pode causar ainda mal-estar, desconforto no estômago e ansiedade.

A advogada Cristiane Pereira (nome fictício) foi uma das pessoas que abusou da mistura e tomou um grande susto. Ela contou que não tinha o costume de associar o energético com o álcool, até que participou de uma festa de réveillon com os amigos e resolveu provar. “Todos os meninos estavam tomando e eu e uma amiga resolvemos fazer também e deu certo. Não deu sono e ficamos bem animadas”, relatou Cristiane.

Meses depois, participando de um Carnaval fora de época que durava o dia todo, ela e a amiga resolveram fazer a associação novamente – dessa vez, os resultados não foram bons. “Quando cheguei em casa ainda estava agitada, mas consegui dormir.

Quando fui tomar banho passei muito mal, não consegui nem terminar. Tive que sentar no chão do banheiro e meu coração estava disparado”, contou a advogada, ao comentar que depois de 20 minutos descansando no chão do banheiro finalmente teve forças para terminar o banho.

“Logo depois não conseguia ficar em pé e o coração continuava acelerado. Passei mal novamente, deitei do jeito que estava e adormeci, acordando melhor em seguida”, detalhou Cristiane, contando que dias depois foi a um médico e relatou o episódio. “Ele disse que provavelmente eu tive uma taquicardia e que podia até ter evoluído para um quadro mais grave, mas por sorte parou por aí”, disse Cristiane.

Segundo a advogada, ela ainda mistura as duas substâncias, mas agora em menor quantidade. “Acho que o problema foi porque passamos o dia todo bebendo e fomos descansar muito tarde”, opinou, ao acrescentar que as pessoas gostam da mistura, sobretudo com as bebidas destiladas, porque o energético corta o gosto forte do álcool e deixa a bebida gostosa.

Conforme o cardiologista Ricardo Queiroga, não existe determinação por parte da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) que regulamente ou proíba o uso desses energéticos. Também não há como mensurar em que quantidade ele se apresenta como um perigo. “Está havendo um uso indiscriminado das substâncias. Também não podemos dizer que apenas uma dose não faz mal”, alertou o especialista, ao recomendar que o ideal é que não se faça a mistura.

“Algumas pessoas podem ter uma patologia no coração não diagnosticada e ao ingerir as substâncias ter consequências mais sérias”, completou.

Jornal da Paraiba

Brasileiros podem tirar segunda via do CPF pela internet

Agora, novo recurso está disponível para qualquer contribuinte e sem muita burocracia.

A Agência Brasil, agência de notícias oficial do Governo Federal, divulgou na última sexta-feira (02) uma nota informando que qualquer cidadão brasileiro inscrito no Cadastro de Pessoas Físicas (CPF) pode retirar um comprovante de inscrição pela internet, no site da Receita Federal. Esta impressão vale também como segunda via do documento, que não é mais emitido fisicamente (o cartão de plástico) desde junho de 2011.

Antes, o recurso estava disponível apenas para quem estava cadastrado no Centro de Atendimento ao Contribuinte (e-CAC), e apenas mediante uso de certificado digital ou de um código de acesso obtido via recibo de entrega das duas últimas declarações de Imposto de Renda.

De acordo com a Receita, a nova medida permite que 140 milhões de brasileiros possam finalmente emitir um comprovante de cadastro no CPF pela internet e sem muitas complicações. O órgão afirmou ainda que o contribuinte pode usar outros documentos que constem o número do CPF para comprovar seu cadastro, como carteira de identidade, Carteira Nacional de Habilitação, Carteira de Trabalho e Previdência Social e ainda o antigo documento de CPF.

Sobrinha do Papa Bento 16 passa férias no Brejo paraibano

Ontem (03/03), por volta das 8h30 da manhã uma equipe de repórteres composta pelo radialista Eraldo Luís e Jean Gomes (Guarabira FM) e Gentil Filho (Brejo.com) realizaram uma entrevista inédita com Elisabeth Messerer, sobrinha do Papa Bento 16, que está em visita à Amecc em Guarabira, PB, para o Programa de olho na Cidade da Guarabira FM, apresentado e dirigido pelo radialista Fabiano Lima.

Estudante de Direito, a jovem de 26 anos, aproveitou o intervalo dos estudos, após já ter concluído cinco anos o curso em sala de aula, para conhecer de perto o projeto da Amecc, muito difundido na alemanha, o que lhe aguçou a curiosidade para conhecer de perto o projeto social desenvolvido na capital do brejo paraibano já por cerca de 20 anos.

De posse de fotos com Bento 16, Elisabeth trouxe ainda, imagens com sua família e ainda uma foto da casa onde o papa nasceu, local que reside familiares até hoje.

Sempre de forma descontraída, Eraldo Luís conseguiu “arrancar” da jovem entrevistada que timidamente respondia suas perguntas, sempre traduzidas pelo padre Geraldo, dentre as quais podemos destacar quando emocionada disse da surpresa dos seus familiares quando da escolha do então Cardeal Joseph Ratzinger como papa pelo conclave de 2005 para suceder o papa João Paulo II. “Nós acreditávamos que estava muito perto de sua aposentadoria aos 78 anos, mas ele foi assim escolhido. Ficamos muito felizes” disse.

Após as merecidas férias, Elisabeth Messerer voltará aos estudos de Direito, só que desta vez, em forma de estágio, que durará cerca de dois anos, para então assim exercer o curso escolhido.

Gentil Filho/Brejo.com

Brasil está no ranking dos 25 Países com maior taxa de assassinato de mulheres


Quatorze países da América Latina – incluindo o Brasil – e Caribe estão entre os 25 Estados com maior taxa de feminicídios, segundo um relatório da organização Small Arms Survey que aponta El Salvador como o país com mais homicídios de mulheres.
Entre as regiões com um índice de feminicídios de mais de seis por cada 100 mil mulheres – considerado muito alto – estão El Salvador, Jamaica, Guatemala, África do Sul, Rússia, Guiana, Honduras, Azerbaijão, Antilhas, Colômbia, Bolívia e Bahamas. Por outro lado, Brasil, Lituânia, Belarus, Venezuela, Letônia, Belize, Cazaquistão, Moldávia, Quirguistão, Ucrânia, Equador, República Dominicana e Estônia estão no grupo dos países com uma alta taxa de homicídios de mulheres, de entre três e seis para cada 100 mil mulheres.
Segundo o estudo da Small Arms Survey, em torno de 66 mil mulheres são assassinadas a cada ano, 17% das quais são vítimas de homicídios intencionais. O relatório Feminicídio: Um Problema Global analisou os dados de assassinatos de mulheres em nível mundial de 2004 a 2009 e concluiu que a porcentagem de feminicídios é “significativamente maior nos territórios com altos níveis de homicídios”.
Em geral, as taxas de feminicídios são mais elevadas em países caracterizados por altos índices de violência, e nestes casos as mulheres “são atacadas na esfera pública e os assassinatos são perpetrados em um clima de indiferença e impunidade”. Apesar de em geral existir uma relação entre o número total de homicídios e a porcentagem de mulheres assassinadas, no caso do Leste Europeu e da Rússia esta tendência não se cumpre, já que estas regiões apresentam taxas de feminicídio “desproporcionalmente altas” em relação aos homicídios em geral. Um terço dos crimes contra as mulheres são cometidos com armas de fogo.
Em países como Brasil, Colômbia, El Salvador, Guatemala e Honduras, 60% dos assassinos de mulheres utilizam armas de fogo, uma taxa que chega a 80% no caso de Ciudad Juárez (México).
EFE

Nova lei trabalhista garante carteira assinada a empregado eventual e por hora

O governo Dilma Rousseff vai propor ao Congresso mudanças nas leis trabalhistas para criar duas novas formas de contratação: a eventual e por hora trabalhada.

A proposta vai beneficiar o setor de serviços, que é o que mais emprega no País, estimulando a formalização de trabalhadores que hoje não têm carteira assinada. A alteração faz parte do Plano Brasil Maior, como é chamada a nova política industrial.

“Estamos formatando a proposta”, disse o ministro do Trabalho, Paulo Roberto dos Santos Pinto. “Vamos concluir o mais rapidamente possível.”

As mudanças na Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) podem dar mais dinamismo ao mercado e, na prática, permitir carteira assinada para quem trabalha dois dias por semana ou três horas por dia, por exemplo, com direito a pagamento de férias, 13.º salário e FGTS.

Para reduzir as eventuais críticas, o governo pretende vender as mudanças na CLT como uma “modernização” do marco regulatório do mercado de trabalho. Também será repetido que as mudanças não representarão perdas de direitos trabalhistas.

Em janeiro, o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Fernando Pimentel, defendeu a ideia em Nova York. “Podemos avançar nesse campo sem comprometer um único direito trabalhista já conquistado. As propostas feitas pela classe empresarial às quais eu tive acesso preservam os direitos que os trabalhadores brasileiros têm”, afirmou o ministro, petista histórico e próximo de Dilma há quatro décadas.

Modalidades. As mudanças permitirão que as empresas contratem um empregado que só vai receber quando for chamado para alguma atividade. Esse mecanismo deve beneficiar, por exemplo, as empresas que realizam shows, curta-metragens, ou mesmo serviço de buffet.

No caso do “horista”, o contrato deve ajudar na complementação de pessoal em bares, restaurantes e eventos sazonais, como Natal e feriados. Com isso, o governo acredita que o trabalhador poderá usar o horário livre para investir em qualificação.

“Imagina o que podemos fazer no turismo, arquitetura e imobiliário na próxima década”, disse o secretário de Comércio e Serviços, Humberto Ribeiro. “Estamos num ministério, inclusive, que é do PT, mas a gente quer, está na hora dessa discussão.”

Com a mudança, a empresa que organiza um festival de música terá mais facilidade para dispor de funcionários no caso de chuvas que exijam reparos e limpeza na estrutura, por exemplo. Outra possibilidade será a contratação por bares de reforço para feriados ou dias de feijoada.

“Garantidos os direitos trabalhistas, é possível customizar para que cada atividade tenha uma forma diferente de contratação”, disse o secretário executivo do Ministério do Turismo, Valdir Simão.

O Estado de São Paulo

Entenda o que é o lúpus e como tratar

O lúpus é uma doença autoimune (quando o sistema de defesa do corpo produz anticorpos contra células, tecidos ou órgãos do próprio corpo), que costuma ser mais comum em mulheres jovens.

Conhecida no meio médico como LES (Lúpus Eritematoso Sistêmico), ela é uma doença inflamatória crônica pouco frequente que pode acometer múltiplos órgãos e apresentar alterações da resposta imunológica, com presença de anticorpos dirigidos contra proteínas do próprio organismo, de acordo com a Sociedade Brasileira de Reumatologia.

Embora a causa do LES não seja conhecida, admite-se que a interação de fatores genéticos, hormonais e ambientais podem desencadear a doença.

Sintomas
Entre os principais sintomas, estão lesões na pele, caracterizadas por vermelhidão nas maçãs do rosto e no nariz; dor e inchaço nas articulações; inflamação de pleura ou pericárdio (membranas que recobrem o pulmão e coração); inflamação no rim. Além de inflamações em pequenos vasos sanguíneos, causando lesões avermelhadas e dolorosas nas palma de mãos, planta de pés, no céu da boca ou em membros;

Há ainda possibilidade de aparecer alterações no sangue em mais da metade dos casos, como diminuição de glóbulos vermelhos (anemia), glóbulos brancos (leucopenia), dos linfócitos (linfopenia) ou de plaquetas (plaquetopenia).

Em casos menos frequentes, podem acontecer inflamações no cérebro, causando convulsões, alterações do comportamento (psicose) ou do nível de consciência e até queixas sugestivas de comprometimento de nervos periféricos.

De difícil diagnóstico, ele costuma ser feito depois de analisado exames de sangue junto ao conjunto de sintomas.

Tratamento
Apesar de o lúpus não ter cura, o tratamento, que deve ser individualizado, permite o controle da doença e a diminuição dos sintomas e efeitos colaterais dos medicamentos. Com tudo isso, o portador pode ter qualidade de vida. No Brasil são indicados o uso de anti-inflamatórios e imunosupressores (que reduzem a atividade do sistema imunológico).

Para evitar crises, os médicos recomendam evitar fatores que desencadeiam a doença. São eles: evitar tomar sol e outras formas de radiação ultravioleta, tratar infecções, evitar o uso de estrógenos (anticoncepcionais) e outras drogas (hidralazina, hidrazida, a procainamida) e evitar o estresse.

O reumatologista é o especialista mais indicado para fazer o tratamento e acompanhamento de pacientes com LES, e, quando necessário, outros especialistas devem fazer o seguimento em conjunto.

R7

43% das mulheres da Paraíba têm transtorno do desejo sexual

“Meu amor, não fique assim, não foi sua a minha culpa. Por favor, não mude de cor, a gente pode tentar outra vez. A noite é uma criança, um pouco de amor não cansa. É que eu sou frígida”. Quem lê os versos de “Betty Frígida”, sucesso nos anos 80 com o jargão “Calma, Betty”, da banda de rock Blitz, não tem a dimensão de que 43% das paraibanas entre 18 e 70 anos, o equivalente a 538 mil mulheres, sofrem de algum problema sexual, como falta de desejo, excitação ou orgasmo. Dessas, 26%, aproximadamente 325 mil, possuem o Transtorno do Desejo Sexual Hipoativo (TDSH), distúrbio antes conhecido como “frigidez”, que se manifesta com maior frequência a partir dos 40.
As estimativas são fruto da maior pesquisa nacional empreendida na área, realizada pela pesquisadora Carmita Abdo, fundadora e coordenadora do Programa de Estudos em Sexualidade (ProSex) do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP). Os números da amostra, porém, podem atingir proporções ainda maiores, tendo em vista que o tabu e a piada que nunca deixaram de envolver o tema têm calado muitas vozes ao longo do tempo. Ainda assim, mesmo para as que resolvem falar e procurar ajuda médica, o problema não é menor.
Apesar de a vida sexual ser uma das condições avaliadas pela Organização Mundial de Saúde (OMS) para definir a qualidade de vida da população, a rede pública de saúde não oferece nenhum dos três diferentes tipos de medicamentos existentes e que podem devolver a libido à paciente, restringindo sua atuação aos repositores hormonais, no caso de haver déficit de hormônios. Já nas farmácias, os “estimulantes femininos” são caros, chegando até R$ 130, despesa incompatível com a realidade da maioria, que, por outro lado, desconhece a existência desses produtos.
O fato é que, se não tratado, o TDSH, que é causado majoritariamente por distúrbios psicológicos, pode agravar ainda mais esses sintomas e comprometer de forma definitiva a vida pessoal dessas mulheres, levando à destruição de casamentos e de famílias, além de depressões graves e, muitas vezes, de difícil tratamento.
A psicóloga Karina Simões, especialista em Sexualidade Humana pela USP, conta que quadros com base multifatorial, são bastante comuns. Ela explica que, como as mulheres hoje têm assumido cada vez mais funções, mas têm ainda que conviver com o tradicionalismo da instituição familiar, são recorrentes casos de estresse, estafa e alterações hormonais, fatores que estão diretamente relacionados ao aparecimento do TDSH.
Karina ressalta, contudo, que experiências negativas, traumas e até mesmo uma má educação sexual na infância também são causas determinantes. Apesar de grave, a especialista aponta que o distúrbio, sendo de ordem psicológica, é efetivamente tratável e pode devolver a vida normal a essas mulheres em menos de um ano.
Sexo é tabu
Falar de sexo ainda é um tabu entre as mulheres. Embora as disfunções sexuais atinjam mais de meio milhão de paraibanas no Estado, conforme indicam estimativas realizadas a partir da pesquisa empreendida pela estudiosa da Universidade de São Paulo (USP), Carmita Abdo, o assunto ainda é ignorado por muitas, o que atrapalha, de forma decisiva, a resolução dos conflitos, já que muitas sequer conhecem os problemas ou procuram as soluções, seja por medo, vergonha ou desconhecimento.
Para o chefe do serviço de ginecologia do Hospital Universitário Lauro Wanderley (HULW), Eduardo Sérgio Sousa, que também é professor da Universidade Federal da Paraíba, embora as mulheres tenham avançado em muitos aspectos da vida cotidiana, inclusive disputando espaços importantes com os homens, a sexualidade continua a ser um assunto bastante evitado, inclusive durante consultas médicas.
“Num primeiro momento da consulta, elas não se referem em nenhum momento sobre qualquer disfunção sexual. Fazem mil perguntas sobre assuntos diversos, até que, quando já estão perto de ir embora, muitas delas até já se levantando das cadeiras, mencionam o problema, mas, ainda assim, o fazem com bastante vergonha. ‘Ah, doutor, esqueci de perguntar uma coisa’. Essa postura no consultório reflete a postura da sociedade”, conta ele.
Por esse motivo, segundo a pesquisadora Carmita Abdo, os casos de disfunção sexual são sempre subnotificados. “As mulheres têm dificuldade de se abrir com o profissional por se sentirem constrangidas de debater a questão. Por incrível que pareça, apesar de todos os avanços alcançados, muitas não imaginam que a mulher possa ter desejo. É um preconceito que está cristalizado, de que só o homem pode ter prazer e falar sobre sexo”, lamenta.
Memória
Cerca de 70% dos casos de Transtorno do Desejo Sexual Hipoativo (TDSH), em que a mulher não tem libido e, por consequência, não se excita com as carícias do parceiro, ocorre com mulheres acima dos 40 anos. Nesse sentido, explica a pesquisadora Carmita Abdo, é fundamental que seja investigada possibilidade de essa paciente ter alguma doença que a leve à falta de resposta sexual.
O presidente da Comissão Nacional de Sexologia da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia, Gerson Pereira Lopes, explica que, não estando equilibrada a saúde da mulher, o desejo naturalmente pode sumir.  “Alguém que está com câncer, seja pela doença ou pelo aspecto psicológico, vai perder o desejo sexual. A mesma coisa com alguém que sofre de alguma doença no coração, no pulmão ou mesmo a diabetes, que, junto com a hipertensão, o colesterol alto e a deficiência de hormônios, são as mais comuns”, explica.
Porém, o consumo de remédios antidepressivos, contra a hipertensão e contra a ansiedade também estão entre as causas para o surgimento do transtorno. “Esses medicamentos provocam naturalmente uma baixa da libido”, lembra o presidente.
Curiosidade
O termo “frigidez”, que corresponde ao desinteresse pelo sexo e à falta de excitação quando de sua prática, deixou de ser utilizado para se referir ao Transtorno do Desejo Sexual Hipoativo, devido à grande carga pejorativa que envolvia a expressão. “Isso muitas vezes atrapalhava a resolução do problema”, enfatiza o presidente da Comissão Nacional de Sexologia da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia, Gerson Pereira Lopes.
Disfunções
As disfunções sexuais são o conjunto de distúrbios relacionados ao sexo. Na fase do desejo e da excitação, é conhecido como Transtorno do Desejo Sexual Hipoativo (TDSH), também conhecido como inapetência. Quando a paciente não consegue atingir o orgasmo, o problema chama-se Anorgasmia. Já quando a mulher não só não tem desejo sexual, mas também sente repugnância e nojo de qualquer ato relacionado ao sexo, chama-se Distúrbio da Aversão Sexual, que tanto pode ser inato, quanto adquirido. Existem ainda as pessoas conhecidas como assexuadas: são aquelas que não têm libido e não atribuem nenhuma importância ao ato sexual.
DISFUNÇÃO SEXUAL
“Minha vida foi tolhida pelo pé”
Quem perdeu completamente o desejo sexual e convive com uma tristeza diária por esse e outros motivos é a dona de casa Francisca, cujo nome real não será mencionado, para manter sua privacidade. Ela estava na última quinta-feira no Hospital Universitário Lauro Wanderley, na Capital, acompanhando uma parente. Prestes a completar 65 anos, ela conta que, há 26, é viúva. Depois da perda do esposo, tentou refazer a vida com outro relacionamento, mas que não deu certo, porque, segundo ela, já tinha “filhos crescidos”. O fato mais grave, contudo, é que, desde 1992, após uma hérnia de disco, sente dores por todo o corpo e mal consegue andar ou, menos que isso, ter uma vida normal.
“Eu vivo com dores constantemente. Essa doença é tão presente que afetou toda a minha vida. Não tenho mais desejos de nenhum tipo. Até tentei encontrar uma pessoa, mas, como tenho filhos com mais de 40 anos, nunca consegui. Se fossem pequenos, até dava para conciliar, mas não tem como. Eu nunca vou preferir um homem aos meus filhos”, explica ela. Ainda assim, ela acrescenta que nunca se conformou com o rumo que sua vida tomou. “Eu não me aceito desse jeito. Eu era uma pessoa muito ativa com meu marido. Fazíamos de tudo, nos amávamos, éramos muito felizes. Minha vida foi tolhida pelo pé”, desabafa.
Problemas psicológicos
No caso de mulheres jovens, entretanto, a pesquisadora Carmita Abdo ressalta que geralmente o transtorno vai estar associado a problemas psicológicos. “Até porque elas são saudáveis”, destaca. Segundo a psicóloga Karina Simões, especialista em Sexualidade Humana pela Universidade de São Paulo (USP), as causas mais comuns para o desenvolvimento do problema entre pessoas mais novas devem-se a traumas, à falta de educação sexual e a experiências negativas presenciadas.
“Um exemplo muito comum é de uma criança de três ou quatro anos que vê os pais tendo relações. Como ela não tem maturidade para entender isso, pode acabar virando um trauma, porque ela não vai conversar sobre o assunto e vai levar essa lembrança para a vida toda, em forma de um bloqueio. Trauma não é só abuso sexual”, conta. Além disso, enfatiza Karina, o estresse alto, uma carga horária incompatível que provoque um cansaço intenso, má-alimentação, problemas conjugais e até mesmo uma pós-gravidez podem contribuir diretamente para o aparecimento do problema.
“Isso porque o foco dessas mulheres vai se voltar para o filho, para o trabalho e para os problemas em geral. O corpo passa a trabalhar mais e existe uma alteração hormonal que acaba refletindo em alguma área. Se for estritamente orgânico, o ginecologista receita um medicamento, mas, caso não seja, isso tem que ser trabalhado com acompanhamento psicológico”, disse.
Mulheres desconhecem estimulantes
Embora só devam ser usadas sob prescrição médica, o mercado dispõe hoje de duas substâncias que funcionam como “estimulantes” sexuais para mulheres: a bupropiona, presente em medicamentos como Wellbutrin, Bup e Zetron, além do genérico Cloridrato de Bupropiona; e a testosterona, que não é vendida avulsa, tendo que ser produzida em farmácias de manipulação. Além destas opções, existe ainda o Androsten, um fitoterápico à base da planta “Tribulus terrestris”, que funciona aos moldes do Viagra masculino, aumentando a libido tanto de homens, quanto de mulheres. No entanto, são poucas as que compram porque não conhecem os remédios, têm vergonha ou medo.
Apesar de constituírem saídas a problemas como o Transtorno do Desejo Sexual Hipoativo (TDSH), nenhum desses medicamentos é oferecido pela rede pública de saúde e, por outro lado, são caros, variando de R$ 58, para o Androsten, a R$ 130, para uma caixa do genérico com 60 comprimidos. Já as contendo 30 comprimidos variam entre R$ 66 e R$ 94, com o agravante de que muitos deles devem ser consumidos três vezes ao dia, o que significa que, usado continuamente, não duram mais que 10 dias.
A Gerência de Medicamentos Farmacêuticos (Gemaf) da Secretaria de Saúde de João Pessoa (SMS) informou que, no caso do Androsten, não é oferecido à população por se tratar de um fitoterápico que não consta nas portarias emitidas pelo Ministério da Saúde (MS). “O que oferecemos à população são remédios para reposição hormonal na menopausa, como os estrógenos conjugados em cremes e em comprimidos”, explicou a farmacêutica da Gemaf Darlle Sarmento. A farmacêutica adiantou, porém, que a SMS deverá inaugurar, em abril, um Centro de Práticas Integrativas e Complementares, que terá foco, entre outros aspectos, em medicamentos fitoterápicos.
Já a Secretaria Estadual de Saúde (SES) informou que nenhum medicamento para reposição hormonal é oferecido pelo Centro Especializado de Dispensação de Medicamentos Excepcionais (Cedmex), bem como o Androsten. A SES explicou ainda, através da assessoria de imprensa, que também não há requisição de nenhum desses remédios em andamento na Justiça.
Uso indiscriminado prejudica
O uso indiscriminado dos medicamentos para tratar o Transtorno do Desejo Sexual Hipoativo (TDSH) pode causar sérios danos à saúde da mulher, por isso, recomendam especialistas, a administração desses remédios deve ser feita apenas sob prescrição médica.
De acordo com o chefe do serviço de ginecologia do Hospital Universitário Lauro Wanderley (HU) da UFPB, Eduardo Sérgio Sousa, o uso de doses elevadas de testosterona, por exemplo, podem acarretar o engrossamento da voz da mulher e ao aumento do clitóris. “Também não deve tomar doses de testosterona mulheres com colesterol alto ou que tenham problemas hepáticos ou risco de câncer, pois o quadro pode se agravar”, complementa a pesquisadora da USP, Carmita Abdo. Com relação à bupropiona, ela explica que o uso é contraindicado para mulheres que sofrem de distúrbios como bulimia ou anorexia. “Outra contraindicação é para mulheres muito ansiosas ou que tenham insônia, pois elas podem desenvolver um quadro de agitação intensa. É por isso que todo médico, antes de administrar qualquer uma das duas substâncias, vai fazer um interrogatório minucioso”, afirmou.
Hoje, o único medicamento que pode ser encontrado facilmente sem qualquer restrição é o Androsten. Para os demais, é exigida nas farmácias uma receita branca dupla, por se tratar de um “medicamento controlado”, conforme apontam os atendentes de todas as drogarias pesquisadas em João Pessoa.
“É possível viver sem sexo”
A pesquisadora Carmita Abdo, fundadora e coordenadora do Programa de Estudos em Sexualidade (ProSex) do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), explica que, embora o Transtorno do Desejo Sexual Hipoativo (TDSH) seja um problema que afeta a vida de muitas mulheres, é possível que o indivíduo viva feliz sem sexo.
“Nossa pesquisa, chamada de ‘Mosaico Brasil’, mostra que 7,5% das mulheres no Brasil não estão incomodadas com a falta de sexo. Do ponto de vista médico, essa situação pode sim ser saudável, desde que a pessoa não sinta nenhuma necessidade. O que é prejudicial é quando a mulher sente vontade e passa a se privar, evitando o contato ou o ato propriamente dito por razões de outra natureza. Aí sim elas podem ficar perturbadas”, explica.
A psicóloga Karina Simões, especialista em Sexualidade Humana, enfatiza também que essa falta só se torna um problema quando é persistente a falta de desejo e isso começa a comprometer a vida do indivíduo. “Mas, também deve ser feito o diagnóstico para evitar confundir o TDSH com a aversão sexual, que é um distúrbio diferente”, lembra.
Diálogo
É consensual entre médicos e especialistas que o diálogo é a melhor alternativa para iniciar o tratamento de disfunções relativas ao sexo. “É preciso quebrar essa cultura errada da sexualidade, de que o prazer está restrito aos homens ou de que é vergonhoso falar sobre sexo”, esclarece a psicóloga Karina Simões. “Embora seja notável que a mulher tem rompido barreiras, inclusive no tocante à sexualidade, esse avanço ainda é desproporcional às demais conquistas femininas”, lamenta o chefe do serviço de ginecologia do HULW, Eduardo Sérgio Sousa. Ainda assim, a pesquisadora da USP, Carmita Abdo, lembra que, apesar de a passos lentos, os progressos devem continuar, sem deixar de lembrar da importância de se ter uma vida saudável, para prevenir a ocorrência de problemas sexuais futuros. “A dica é evitar o sedentarismo, dietas hipercalóricas, bebidas em excesso, fumar, evitar drogas, além de reservar um tempo para si, para diminuir o estresse, que é responsável pelo desenvolvimento da maioria dos quadros ansiosos ou depressivos”, finaliza.
Jornal Correio da Paraíba