Até os anos de 1990 só havia praticamente duas opções para se comunicar com pessoas em lugares distantes: telefone ou carta. O primeiro era rápido, porém caro. O segundo tinha a vantagem da economia, mas era preciso ter paciência para esperar notícias do parente ou amigo distante. A tecnologia evoluiu e nos anos 90 outros meios se popularizaram, como o fax e a internet. Muitas famílias então ‘virtualizaram’ para se adequar às diferenças de tempo e lugar e amenizar a saudade.Telma Queiros foi uma das pessoas que desde cedo teve que conviver com a ideia dos filhos morando longe de casa e acompanhou de perto a evolução da comunicação, porque sempre precisou muito dela para ter notícias dos filhos. Ela conta que em 1991, com apenas 12 anos, a sua filha mais velha fez a primeira viagem para os Estados Unidos e entre idas e vindas ficou de vez no exterior.
“Nessa época as cartas demoravam 15 dias para chegar de um endereço a outro. Lembro da chegada do fax e com a ajuda de amigos que tinham no trabalho eu e meu marido conseguimos ter notícias mais rápidas, até finalmente comprarmos um, à prestação, de tão caro que era”, detalha Telma, contando que posteriormente a família adquiriu um computador e depois chegou a internet. “A maior alegria de todas foi quando começamos a usar e-mails e nem imaginava que com o contínuo avanço da tecnologia eu teria o prazer de falar via internet em tempo instantâneo e ver através da webcam os meus filhos”, comentou.
Hoje, com todos os filhos (três) morando fora e ainda cinco netos, ela revela que as conversas on-line são constantes. Mesmo com a tecnologia a favor, Telma diz que no começo foi muito difícil lidar com a distância. “Muitas lágrimas e noites mal dormidas, agora tudo está mais fácil, menos dolorido, mas não consigo ficar muito tempo longe deles. Atualmente, tenho ido duas vezes por ano visitá-los, ainda assim preciso recarregar as baterias da saudade quando volto e posso fazer isso graças à internet”, afirma.
Assim como a família de Telma, o aposentado Paulo Vamberto, de 64 anos, aprendeu a conviver com a saudade e usa programas de conversa instantânea para se comunicar com a filha que está morando na Holanda. Até as confraternizações em família são compartilhadas via internet. “A gente se fala quase todo dia e se vê através do Skype”, diz, revelando que não conhecia o programa, mas assim que tomou conhecimento dele procurou instalá-lo no computador.
“Às vezes a gente faz churrasco em casa no domingo e ela fica acompanhando de lá. A gente com a cervejinha e ela com o vinho”, brinca o aposentado. “Só o fato de ligar o computador e saber que a outra pessoa está on-line já dá uma sensação que o outro está presente, é como se estivesse perto”, completa.
O arquiteto Ahned khaled, de 48 anos, teve uma experiência um pouco diferente. Apesar de ser brasileiro, natural do Estado de São Paulo, há cerca de 30 anos ele vivia em Portugal, onde casou e teve filhos. Há sete meses, ele voltou para o Brasil por motivos de trabalho e parte da família ficou na Europa: o filho mais velho, Daniel, de 28 anos, e a filha Gabriela, de 19 anos; enquanto a esposa e outros dois filhos também vieram para o Brasil. Apesar da separação física, Khaled revela que frequentemente entra em contato com a família pela internet e até faz reuniões ‘on-line’ para discutir assuntos familiares.
“Não é igual ao ‘ao vivo’ mas é uma forma de se comunicar e estar mais próximo. A tecnologia tem esses benefícios”, diz Khaled.
Jornal da Paraiba