Paraíba quer vender transformadores, sapatos e polpa de fruta para Cuba; Saiba quem vai e o que fará a comitiva de Ricardo na Ilha


A Paraíba pretende abrir o comércio com Cuba. Um dos últimos países comunistas e que continua a sofrer com o embargo americano que dura quase meio século, vai receber uma comitiva de empresários paraibanos para discutir possibilidades comerciais.
A comitiva, liderada pelo governador socialista Ricardo Coutinho, embarca para Cuba hoje (18) para abrir comércio e trocar experiências com o País de Fidel Castro, em diversas áreas.

O porto de Cabedelo será a principal porta a estar aberta ao comércio entre a Paraíba e Cuba.

De acordo com a Secretaria de Comunicação do Estado, dez empresários acompanham o governador na viagem denominada de 'missão comercial'

Leia nota da Secom sobre a viagem do governador da Paraíba a Cuba.

Expectativas da missão comercial de Ricardo Coutinho em Cuba

A convite do Governo da Paraíba, um grupo de dez empresários da Paraíba embarca com o governador Ricardo Coutinho para Cuba, neste domingo (18), em Missão Comercial. A agenda de negócios da comitiva paraibana cobre o período de 19 a 23 deste mês e tem o objetivo de expandir as parcerias institucionais, comerciais e culturais com a ilha socialista.

As empresas paraibanas (ou instaladas na Paraíba) farão o primeiro contato com empresários e com o governo cubano, no sentido de exportar, para aquele país da América Central, produtos como transformadores elétricos, calçados, alimentos, bebidas, papel higiênico e artigos plásticos. Um empresário do setor de transportes, que também atua com logística portuária, integra a comitiva.

Transformadores – A multinacional indiana Vijai Elétrica do Brasil Ltda, que tem uma unidade no Distrito Industrial de João Pessoa – a única do grupo na América do Sul –, pretende exportar para Cuba seus transformadores elétricos de ultima geração. Na fábrica da capital paraibana, são produzidos, por dia, 400 transformadores monofásicos e cerca de 250 trifásicos. O preço médio é de R$ 10 mil por unidade.

Segundo o diretor de marketing da multinacional, Darci Chaves Araújo, a Vijai já tem relações comerciais com o Peru e o Chile. Contatos também estão sendo iniciados com o Uruguai. “Nnesta missão, que tem à frente a comitiva do Governo da Paraíba, temos a vantagem de abrir uma porta oficial no país, o que representa um passo à frente para futuros negócios”, disse.

A Vijai se instalou em João Pessoa em 2006 e aqui gera 430 empregos diretos – incluindo os indiretos, são cerca de mil empregos. Darci ressalta que Cuba tem a energia mais cara do mundo, os geradores são a óleo, antigos, com mais de 30 anos de uso, porém o governo subsidia boa parte dos custos. O Porto de Cabedelo será o ponto de partida para os negócios com Cuba. A Vijai também tem uma fábrica no México e realiza negócios na Ásia e Europa.

Calçados – O empresário João Bôsco Florêncio, da Jotabê Indústria e Comércio de Calçados Ltda, com sede em Campina Grande, ressaltou a identificação do governo socialista de Ricardo Coutinho com o regime do governo cubano – o que, para ele, facilita o intercâmbio comercial da ilha com a Paraíba.

A empresa espera contribuir com a movimentação do Porto de Cabedelo, exportando calçados para Cuba. Hoje, 80% de sua produção destinam-se ao mercado nordestino. “Vamos com boa expectativa, com disposição para avaliar, observar os preços no comércio cubano e articular negócios futuros”, disse.

Frutas – O empresário Claudio Barbosa de Carvalho Filho revelou que a Intrafrut Indústria Transformadora de Frutos S/A, de João Pessoa, já exporta polpa de frutas para dezenas de países. Agora, pretende realizar negócios com Cuba, um mercado muito promissor. Por ano, a empresa tem capacidade de processar 60 mil toneladas de abacaxi.

A Intrafrut emprega 180 pessoas, fora os empregos indiretos. Para o empresário, o convite do Governo da Paraíba chega em boa hora, pois já havia planos de exportar para a ilha caribenha. “A iniciativa do governo paraibano é uma grande oportunidade”, destacou.

Couro – A Indústria e Comércio de Artefatos de Couro e Plástico Ltda, com unidades em João Pessoa e Campina Grande, produz cerca de 2.800 pares de calçados infantis por dia. O empresário José Saad Rached espera exportar o quanto antes para Cuba. “A ilha tem grande potencial”, disse.

Transportes e operações portuárias – A Marlog Marajó Logística e Serviços Ltda atua no setor de transporte e também em operações portuárias. Com boas expectativas de negócios na missão, o empresário Arlan Silva Rodrigues defende que o governo da Paraíba realize outras missões comerciais. “O Estado precisa ingressar de vez na globalização”, salientou.

Além do governador Ricardo Coutinho, de alguns auxiliares do Governo do Estado e dos empresários já citados, integram a missão paraibana o presidente da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado da Paraíba, Marconi Medeiros, e os empresários José Gonzaga Sobrinho, (Atacadão de Estivas e Cereais Rio do Peixe Ltda – Campina Grande); Fábio Tyrone Braga e Oliveira (Pau Brasil Veículos e Peças Ltda – Sousa); Carlos Frederico Gaudêncio (Plastex Indústria e Comércio de Plástico – João Pessoa); e Christiano Saldanha (Fofex Indústria de Papéis Ltda – Campina Grande).

Agenda – O governador Ricardo Coutinho, os demais integrantes da comitiva governamental e os empresários embarcam em São Paulo, na madrugada deste domingo (18), e chegam em Cuba às 11h23, depois de o vôo fazer escala no Panamá. O grupo embarca de volta na manhã da próxima sexta-feira (23).

Na agenda, constam, entre outros eventos: visita a um showroom de produtos brasileiros; reunião com o Embaixador do Brasil em Havana; reunião com a administração portuária; reunião com a Mincex (Comércio Exterior); encontro com a Câmara de Comércio de Cuba; visita técnica às obras do Porto de Mariel (obra executada pela Odebrecht).

Na quarta-feira (21), a agenda começa com mua visita à joint venture Brascuba (Sousa Cruz e TabaCuba); na seqüência, ronda de negócios; e reunião com a empresa cubana Palco, organizadora da Feira Internacional de Havana. Depois haverá um encontro para avaliar a missão.

Secom da PB

Energia extraída do sol da caatinga em Coremas-PB


A tórrida cidade de Coremas, no sertão da Paraíba, poderá se tornar em 2012 um nome tão familiar aos brasileiros quanto Itaipu ou Angra – bem, talvez não tão famoso, mas certamente mais admirado pelos ambientalistas. O município de 15 mil habitantes, localizado num ponto especialmente quente do sertão nordestino, foi escolhido por investidores como local de construção da primeira grande usina solar do país. “Grande”, entenda-se, para os padrões ainda modestos do universo da energia solar: o projeto prevê capacidade inicial de 50 megawatts, suficiente para abastecer 90 mil residências.

O complexo nuclear de Angra tem capacidade quase 70 vezes maior. Mesmo assim, a obra em Coremas será um marco, por colocar (ainda timidamente) a energia solar no mapa da geração em grande escala no Brasil. A princípio, a usina poderá participar, até abril, dos leilões periódicos de energia que garantem o suprimento do país para o resto da década. As obras deverão começar no próximo ano e terminar até 2015.
Até hoje, o uso da luz solar para produzir eletricidade recebe mais elogios que investimentos. Trata-se de uma fonte inesgotável e limpa, que não emite resíduos, não exige desmatamento, alagamentos ou desvio de curso de rios, nem assusta com a possibilidade de vazamento de radiação. Com tantos predicados, ela nem aparece nos gráficos que mostram a contribuição de cada fonte de energia nos totais de geração global ou brasileira. A situação tende a mudar um pouco até 2020, quando a luz do sol deverá responder por 51 terawatts de capacidade geradora no mundo inteiro – um décimo da capacidade das usinas eólicas (que produzem energia a partir do vento) e 0,2% do total global, segundo previsões do Ministério de Minas e Energia. A energia solar passaria então a ser um risquinho visível nos gráficos. “A viabilidade econômica ainda é um problema, mas seria bom o Brasil contar mais com essa fonte. A tecnologia a ser usada funciona”, diz o físico José Goldemberg, ex-secretário nacional de Ciência e Tecnologia e especialista em energia.
A tecnologia prevista para Coremas é bem diferente dos tradicionais painéis fotovoltaicos, as chapas que transformam a luz solar em corrente elétrica e podem ser vistas em telhados, postes, pequenos dispositivos eletrônicos e também na Usina de Tauá, no Ceará – atualmente, a maior solar do Brasil, obra do empresário Eike Batista, com capacidade de 1 megawatt. Coremas se baseia em outro processo, de concentração de energia, também chamado heliotérmico: espelhos côncavos concentram os raios solares em um tubo, por onde passa um fluido especial, de tecnologia israelense. O fluido, aquecido a centenas de graus, corre pela tubulação até uma caldeira, transforma a água em vapor e o vapor move as turbinas. Há pelo menos dez usinas similares em construção ao redor do mundo. A maior obra já em andamento, três vezes maior que a brasileira, fica em Lebrija, na Espanha. O maior projeto em estudo, oito vezes maior que o de Coremas, prevê uma usina no Deserto da Califórnia, nos Estados Unidos.
A obra tem sentido do ponto de vista técnico, por produzir energia limpa numa área infértil, que dificilmente seria usada para outro fim econômico, e onde é relativamente fácil administrar o risco e o impacto ambiental – situação bem diferente do que ocorre com o aproveitamento de rios para geração hidrelétrica e com os projetos de geração nuclear. Os empresários responsáveis pelo projeto, todos do setor financeiro, trataram de aumentar seu apelo ambiental. Querem garantir a produção de energia à noite com a queima de restos de coco, o que pode diminuir o volume desse resíduo na região (a produção anual na região é de 300.000 toneladas). Além disso, os painéis concentradores de energia seriam colocados a 3 metros do chão, para formar uma estufa sombreada de 60 hectares. “Dá para plantar com alta produtividade ali, isso já foi comprovado nos Estados Unidos. Seria um benefício adicional para a região”, diz Sergio Reinas, um dos sócios da Rio Alto Energia, dona do projeto de Coremas.
As ideias são boas, mas ainda não garantem a viabilidade do projeto, com custo estimado em R$ 325 milhões (R$ 15 milhões já investidos pelos sócios) e à espera de financiamento. “A energia solar não vingou até hoje no Brasil porque custa muito e a hidrelétrica é barata, tem saído por R$ 80 por megawatt-hora”, diz o economista Alexandre Rands, professor da Universidade Federal de Pernambuco e especialista em economia do Nordeste. “Para ser lucrativa, uma empresa de energia solar precisaria oferecer energia a uns R$ 140 e manter baixos os custos de manutenção.” O megawatt-hora a partir da luz solar ainda custa pelo menos R$ 200, o dobro do preço cobrado pelas fontes eólicas, a grande estrela do momento na geração limpa. “Mas é importante lembrar que a energia eólica custava R$ 150 há dois anos. Quando o negócio começa a se tornar atraente, mais gente entra e o preço cai”, diz Álvaro Augusto Vidigal, outro sócio da Rio Alto. A população de Coremas já comemorou a venda de terrenos. Com um pouco de sorte, o resto do Brasil também poderá celebrar a novidade.
Época

Agricultores da Paraíba comemoram a safra da fava após chuvas acima da média

G1

Câmaras aumentam número de vereadores na Paraíba


Mais duas Câmaras Municipais da Paraíba aprovaram emendas à Lei Orgânica que aumentam o número de vereadores, a partir da próxima legislatura. Em Santa Rita, o número de cadeiras subiu de 11 para 19, enquanto em Lagoa Seca foram criadas mais duas vagas, oscilando de nove para 11. Na Paraíba, devem ser criadas 152 vagas de vereadores até 7 de outubro.
 
Em Santa Rita, no Litoral, a Emenda à Lei Orgânica do Município nº 01/2011 foi aprovada em dois turnos. A proposta segue o que determina a Emenda Constitucional 58, oriunda da PEC dos Vereadores. O município é o terceiro mais populoso do Estado com 120.310, de acordo com o censo de 2010 do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).
 
De acordo com Emenda Constitucional 56, as cidades com população superior a 120 mil e até 160 mil habitantes podem ter 19 vereadores. O presidente da Câmara Municipal, Ednaldo Pereira, explicou que é favorável ao aumento de cadeiras para a próxima legislatura. “No primeiro período legislativo, realizamos uma reforma na casa, já prevendo uma quantidade de gabinetes na Câmara, a fim de suprir as necessidade de todos os vereadores”, esclareceu Ednaldo.
 
Já o município de Lagoa Seca, no Brejo paraibano, a população é de 25.900 moradores, conforme o último censo do IBGE. O município se enquadra na faixa 2. Entre 15 mil e até 30 mil habitantes, a Câmara terá 11 vereadores. O presidente da Casa, Fábio Ramalho, explicou que a votação da emenda, aumentando o número de vereadores foi consensual.
 
João Pessoa e Campina lideram vagas
 
Com 723 mil habitantes, João Pessoa, que hoje tem 21 vereadores, vai ganhar o reforço de mais seis, conforme proposta aprovada pela Câmara. Em Campina Grande, cuja população ultrapassa os 385 mil habitantes, de acordo com o censo 2010, o número de vereadores vai saltar de 16 para 23, a partir de 2012.
 
Em Patos, embora pudesse aumentar o número de vagas de 11 para 17 para a próxima legislatura, a Câmara Municipal decidiu por maioria de votos apenas criar mais duas cadeiras. Em Bayeux, haverá o acréscimo de sete vagas na Câmara, pulando de 10 para 17. Por sua vez, o Legislativo de Cabedelo pode passar de 10 parlamentares para 15. Em Mamanguape, o Parlamento vai aumentar de 9 para 13 o número de cadeiras, enquanto Guarabira ganhará mais cinco vereadores, pulando de 10 para 15. A Câmara Municipal de Cajazeiras também aprovou o projeto de lei aumentando de 10 para 15 o número de vereadores na “Casa Otacílio Jurema”.
 
Na Câmara de Esperança, as vagas no Legislativo pulam de 9 para 13, da mesma forma que em Monteiro. Na Câmara Municipal de Sousa, mais cinco cadeiras serão criadas. Atualmente, o Legislativo tem 10 vereadores e subirá para 15. Em São Bento, o número de parlamentares passará de 9 para 13 e, em Piancó, de 9 para 11. Nas demais cidades onde houve aumento significativo da população, o aumento do número de vereadores é de dois a quatro.
 
Proposta limita gastos com parlamentares
 
O presidente da Câmara de Campina, Nelson Gomes Filho, ressaltou que, se por um lado haverá a redução de custo, por outro a população ganhará mais representatividade.
 
Ele esclareceu que a Emenda 58 tratou também da redução de repasses para os legislativos municipais. Até 2009, o repasse de recursos dos municípios para as câmaras variava de 5% a 8% de acordo com o número de habitantes das cidades. Com a emenda, o repasse agora vai de 3,5% a 7%. O percentual se refere ao teto que pode ser repassado.
 
Com cidades com até 100 mil habitantes, houve uma redução de repasse para as câmaras de 8% para 7% dos percentuais das receitas correntes das prefeituras. Acima de 100 mil até 300 mil o percentual caiu de 7% para 6%. Na outra faixa de habitantes, que vai até 500 mil, a diminuição foi de 6% para 5%. Acima de 500 mil até três milhões de habitantes, a queda foi de 5% para 4,5%.
 
Critérios são definidos
 
A Emenda 58 alterou o inciso IV do caput do artigo 29 da Constituição Federal, instituindo 24 faixas de composição das câmaras de vereadores. A proposta mobilizou a maioria dos vereadores, que pressionaram deputados federais e senadores, após o Supremo Tribunal Federal ter reduzido as vagas.
 
A primeira fixa o número de nove representantes para municípios de até 15 mil habitantes.
 
A segunda contempla cidades acima de 15 mil habitantes, enquanto a última prevê o número máximo de 55 vereadores para cidades com mais de oito milhões de moradores. Na Paraíba, João Pessoa lidera. (Veja abaixo o quadro com as faixas). 

Jornal da Paraíba

Proposta proíbe o uso de cerol em pipas e detenção de seis anos para quem usar ou fabricar


A Comissão de Segurança Pública e Combate ao Crime Organizado aprovou proposta que proíbe o uso de cerol ou linha chilena nas pipas e papagaios e prevê a pena de detenção de até seis anos para quem usar ou fabricar os produtos. A definição da pena, considerada alta por alguns deputados, causou polêmica no colegiado.
O cerol é a mistura de cola com vidro moído ou limalha de ferro, enquanto a linha chilena é produzida a partir do quartzo moído e óxido de alumínio. Os dois produtos são utilizados com o intuito de cortar a linha e dominar as outras pipas, e tem causado acidentes com motociclistas e pedestres em todo o País.
O texto aprovado é o substitutivo do deputado Edio Lopes (PMDB-RR) ao Projeto de Lei 402/11, da deputada Nilda Gondim (PMDB-PB). Lopes incluiu no texto as punições e sanções administrativas contra quem utilizar ou produzir o cerol, o que não estava especificado na proposta original.
Pelo substitutivo, ficará sujeito a pena de detenção de até seis anos quem fabricar, importar, estocar, comercializar ou intermediar a comercialização de cerol, linha chilena ou produto similar. Será penalizado ainda quem comprar, preparar ou fornecer, ainda que gratuitamente, os produtos ou seus componentes com a intenção de utilizá-los para empinar pipa e quem fizer uso de qualquer objeto cortante nas pipas.
“Se o projeto quer proibir e não traz as sanções, ora, a medida é toda inócua, motivo pelo qual eu fiz o substitutivo propondo as punições aplicadas para o uso e comércio”, explicou o deputado, que ressaltou casos de pessoas que chegam a ser degolas pelas linhas de cerol.
O relator também incluiu no texto as penas administrativas de apreensão dos produtos, advertência, suspensão do alvará de funcionamento e multa para o fabricante, importador ou comerciante irregular dos produtos.
Polêmica
A previsão de uma pena de até seis anos de detenção (que pode ser cumprida inicialmente em regime semiaberto ou aberto, nunca no regime fechado) foi criticada por alguns parlamentares. “Colocar um cidadão que usa o cerol para empinar pipa e papagaio dentro de um presídio, que se tornou uma fábrica de criminosos, é uma pena muito pesada. O uso do cerol tem um grau de impacto muito pequeno, não merecia por parte do legislador um rigor tão forte”, contestou o deputado Lourival Mendes (PTdoB-MA).
O deputado Alessandro Molon (PT-RJ) também condenou o texto aprovado. Segundo ele, o projeto avança na tentativa de inibir o uso do cerol e da linha chilena, mas prevê uma pena exagerada, especialmente no caso da fabricação artesanal, em que se incluem os jovens. “Não faz sentido criar um novo tipo penal com uma pena desse tamanho para alguém que fabrica artesanalmente, sem ter qualquer noção de que isso é crime. Concordo com a inibição do cerol, mas talvez não tenhamos encontrado a melhor forma para isso”, afirmou. Tanto Molon quanto Mendes votaram contra a proposta.
Outros parlamentares, no entanto, concordaram com a medida. O deputado Alexandre Leite (DEM-SP) ressaltou que a punição não se aplica a crianças e adolescentes, sujeitos às normas específicas do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA – Lei 8.069/90). “É a pena alta que vai inibir o uso do cerol. No caso dos jovens, eles serão enquadrados pelo ECA, que tem regras específicas”, reiterou.
Já o deputado João Campos (PSDB-GO) afirmou que a pena pode parecer alta se analisada isoladamente, mas que há sanções similares em leis que punem condutas semelhantes, como o Estatuto do Desarmamento (Lei 10.826/03). “A pena proposta está adequada e acho que o nosso relator avançou bem, tanto ao definir um novo delito quanto ao estabelecer providências de ordem administrativa, sem prejuízo do aspecto penal”, avaliou.
Tramitação
A proposta, que tramita em caráter conclusivo, será analisada ainda pela Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania.

Agência Câmara

Projeto prevê folga para servidor estadual comemorar aniversário


A Assembleia Legislativa da Paraíba pode aprovar um dia de folga para o servidor público estadual comemorar aniversário. Projeto de autoria do deputado Tião Gomes (PSL) prevê que todo funcionário público estadual terá direito a se ausentar do trabalho por um dia para comemorar nova idade. 
"A data de aniversário é importante para fortalecer as relações familiares. Por isso decidimos apresentar o projeto para que o servidor, sem prejuízo em seu salário e sem as preocupações laborais, possa comemorar com a família essa data", justificou Gomes. 
Para que não haja qualquer prejuízo ao andamento dos trabalhos de sua repartição, o servidor terá que comunicar previamente a ausência ao chefe imediato, de acordo com um dos dispositivos do projeto. A comunicação também permitirá o envio do relatório de frequência com a justificativa de falta ao Departamento de Recursos Humanos, evitando desconto no contracheque do funcionário. 

Jornal O Norte

Crack agora se alastra pelo interior nordestino


Ele começou com álcool há dez anos, quando tinha 17. Depois, viciou-se em maconha. Há cinco anos, quando chegou aos 23, mergulhou de cabeça na pedra de cocaína, o crack. Hoje, aos 28, é um dos 43 internos em uma chácara de recuperação de dependentes químicos no interior do Nordeste. Diz que está limpo, sente-se bem depois de quatro meses sem drogas, e lamenta o inferno vivido no crack ao lembrar que só conseguiu parar quando viu a mãe dentro de um carro de polícia.

Etelvi Nascimento Silva nunca esteve em São Paulo, a metrópole que convive com o crack ao ar livre. Da cracolândia, só ouviu falar. Etelvi fumou a primeira pedra de cocaína no sertão pernambucano, em Floresta, cidade de 30 mil habitantes, a 430 km do Recife, onde nasceu.

Hoje, embora o governo federal ainda pesquise o tamanho do estrago do crack no fundão do País - via Fiocruz -, na sertaneja Floresta de Etelvi e nas vizinhas Petrolândia (32 mil habitantes), Belém do São Francisco (20 mil) e Itacuruba (10 mil), a droga avança. E essa região dentro do "polígono da seca" está prestes a trocar a alcunha de "polígono da maconha" por "polígono do crack".

Rota. "O crack hoje faz parte do cotidiano do sertão", afirma o capitão Marcondes Ferraz, da PM pernambucana, um dos chefes do combate ao tráfico de drogas na região de Petrolina (cerca de 300 mil habitantes). O militar explica que o 5.º Batalhão de Petrolina, no qual chefia uma companhia, é hoje o segundo no ranking das apreensões de drogas no Estado. Perde somente para a delegacia especializada da área (Denarc), do Recife. Petrolina está às margens do Rio São Francisco, ao lado da baiana Juazeiro (200 mil habitantes). É uma próspera região agrícola.

As duas cidades ficam à beira da BR-407, que liga Sul-Sudeste à BR-116, os Estados de Piauí e Maranhão pela BR-316, e o Ceará pela BR-020. Esse conjunto de estradas forma a malha rodoviária que funciona como rota de tráfico para a cocaína que passa pelos centros distribuidores, como São Paulo.

Sob a jurisdição do capitão Marcondes estão ainda Dormentes (16 mil habitantes) e Afrânio (18 mil habitantes), nas quais também há registros da presença do crack. "E onde há drogas, há armas", acrescenta o policial. Nas operações antidrogas do primeiro semestre, o 5.º Batalhão apreendeu 112 armas curtas, 102 longas e 61 brancas (faca).

Um investigador de polícia, que trabalha em área ainda mais isolada, em pleno "polígono da maconha", onde fica o município de Floresta, diz que o uso do crack nas comunidades pequenas não ocorre como em São Paulo, onde os dependentes vagam em turmas, consumindo a droga nas ruas. Na cracolândia do sertão, a cocaína em pedacinhos se espalhou pelos pontos de venda, as "bocas de fumo", e, como os saquinhos de pó, é consumida dentro de casa.

Entreposto. O policial conta que encontrou em Floresta, a cidade de Etelvi, uma pedra de 120 gramas de crack enterrada em um quintal. "Eles desenterram, quebram para vender os pedaços, depois voltam a enterrar o que sobra dentro de sacos plásticos", explicou o investigador. "Se não houver uma ação mais efetiva e rápida do Estado, logo vamos ver por aqui o que ocorre em São Paulo."

Conferindo as planilhas da PF, ele conta: nos últimos 12 meses foram apreendidos 47 kg de cocaína, 1.081 de maconha pronta para consumo, 281 mil mudas da planta, mais de 8 kg de sementes e 606 gramas de crack. "O que é registrado como crack, é pedra de cocaína. Mas pode haver também a pedra registrada só como cocaína", diz ele, que defende normatização para os registros.

O delegado, no entanto, se diz otimista com os resultados da presença da PF na caatinga. "Apreendemos dias atrás um carregamento de 100 quilos de maconha que vinha do Paraguai dentro da armação metálica da carroceria de um carro", contou. "É sinal de sucesso das operações de erradicação das plantações, que repetimos a cada três meses."

No Instituto de Criminalística de Salgueiro, a perita Yeda Sá Araújo passa boa parte do tempo analisando amostras de drogas. Foram 356 exames de comprovação química neste ano. Os laudos se acumulam na pequena e abafada sala. "Aqui aparece de tudo. Maconha, cocaína e crack, e muito armamento." Para além do constante trabalho da polícia, a chaga do vício rápido da pedra no interior nordestino pode ser constatada na observação da clínica de recuperação existente em Juazeiro. Ali já supera as internações por alcoolismo. De acordo com o presidente da Comunidade Evangélica para Recuperação de Viciados (Ceprev), Robson Vieira Pereira, 70% dos internos na instituição estão em tratamento da dependência do crack. São os colegas de Etelvi, gente até de outros Estados que chega a Juazeiro em busca de uma saída da pedra.

Na semana passada, sob temperatura de 38°C, às 14h, um grupo de homens se reunia à sombra de uma construção sem paredes. Ouviam uma palestra pontuada de pregações de fé religiosa contra as drogas e em defesa da vida. "Os dependentes do crack recorrem ao Ceprev em maior quantidade", diz Ferreira, ressaltando que "é a velocidade do vício e o efeito danoso da droga na saúde dos usuários e de suas famílias que os levam a buscar ajuda rapidamente".

Vício e roubo. Assim ocorreu com Eté, o rapaz de Floresta, assim chamado pelas irmãs e pela mãe. "Aqui já se pode ver eles fumando na rua (sic)", conta Olindina Maria da Silva, mãe de Etelvi, em entrevista na casa da família, em um bairro simples, na semana passada. Lembrando dos dias difíceis que passou, Olindina diz que lutou para tirá-lo do mau caminho. "Ele aqui vivia, dava uma volta e de repente chegava doido da cabeça. Então, quer dizer, não ia buscar em Belém, Petrolândia. Era aqui na cidade mesmo que encontrava."

Foi no dia em que ela estava no carro da polícia, com o filho preso por roubar um celular para pagar a droga, que os dois tiveram um diálogo duro para ambos. "Ele me disse: "Mãe, me ajude. Não sou eu, mãe; me ajude"", recorda Olindina, emocionada, ao lado de uma filha e de netos, na varanda da pequena casa. "Ele começou na cachaça e na maconha", recorda Olindina. Há uns quatro anos, entrou no crack. "Eu disse a ele: "Ô, meu filho, eu já passei por tanta coisa. Vou passar por essa agora, meu filho?"" O rapaz, então, respondeu: "Mãe, tenha fé em Jesus. O que a senhora passou, não passa mais. Deus é mais."

Firme diante de mais uma promessa do filho de largar a pedra, Olindina batalhou os R$ 300 necessários para o pagamento da taxa mensal de internação no Ceprev, para onde Eté foi mandado. Ela afirma que acredita na recuperação do rapaz. Mas não quer o filho de volta a Floresta tão cedo. Teme por ele. "A gente só não pode dizer a casa, ou é ali que vende, ou acolá. Ninguém é doido de entregar ninguém. Porque o senhor sabe: entregou agora, mais tarde já tá é lá duro, enterrado. É desse jeito."

Estadão

Deputada Francisca Motta defende criação da Região Metropolitana de Patos

A deputada Estadual Francisca Motta (PMDB), apresentou na última quarta-feira, 14 de setembro, um Projeto de Lei Complementar que institui a Região Metropolitana de Patos.

Composto por sete artigos, o Projeto de Lei Complementar Nº 11/2011, estabelece que a Região Metropolitana de Patos seja constituída pelos Municípios de Patos, Quixaba, Passagem, Areia de Baraúnas, Salgadinho, Junco do Seridó, Santa Luzia, São José do Sabugi, Várzea, São Mamede, Cacimba de Areia, Cacimbas, Desterro, Teixeira, São José do Bonfim, Matureia, Mãe D’ Água, Santa Terezinha, Catingueira, Emas, Malta, Condado, São José de Espinharas e Vista Serrana.

“Estamos falando de uma população de mais de 220 mil habitantes, compreendidos nesses vinte e quatro Municípios, que podem se beneficiar com excelentes oportunidades para investimentos em diversas áreas da economia”, destacou a deputada Francisca Motta.

De acordo com o projeto, na medida em que for criada a Região Metropolitana de Patos, deverá ser criado também um Conselho Deliberativo e um Conselho Consultivo. O primeiro deverá ser constituído de cinco membros de reconhecida capacidade técnica ou administrativa, nomeados pelo governador do Estado, sendo um deles da cidade de Patos, e os demais membros, escolhidos mediante indicação dos Municípios integrantes. Já o Conselho Consultivo deverá ser composto de um representante de cada Município integrante da região metropolitana, sob a direção do Presidente do Conselho Deliberativo.

Segundo a deputada, onde regiões metropolitanas foram institucionalizadas, houve melhorias na execução de serviços comuns aos municípios envolvidos, a exemplo de transporte público, saúde, meio ambiente e outras políticas públicas.

“A institucionalização da Região Metropolitana de Patos proporcionará a oportunidade dos Municípios pensarem de forma integrada as suas vocações para o desenvolvimento econômico e social conjunto. Além disso, os mesmos tenderão a buscar soluções para os problemas de suas competências, sob o modelo cooperativo e consorciativo, onde as necessidades e capacidades tenderão a se ajustar”, acrescentou a deputada Francisca Motta.

De acordo com o projeto, é de interesse metropolitano o planejamento integrado do desenvolvimento econômico e social, o saneamento básico notadamente abastecido de água e rede de esgotos e serviço de limpeza pública, o uso do solo metropolitano, transportes e sistema viário, a produção e distribuição de gás combustível canalizado, o aproveitamento dos recursos hídricos e controle da poluição ambiental, na forma que dispuser a lei federal, além do planejamento dos serviços de saúde, educação, segurança pública metropolitana e meio ambiente das cidades envolvidas.

O Projeto de Lei Complementar, que entra em vigor a partir da sua data de publicação, estabelece ainda que o Estado seja responsável pela manutenção dos Conselhos Deliberativo e Consultivo, através de recursos próprios. Além disso, os Municípios da região metropolitana, que participarem da execução do planejamento integrado e dos serviços comuns, terão preferência na obtenção de recursos federais e estaduais, inclusive sob a forma de financiamentos, bem como de garantias para empréstimos.

Ascom