Ultimamente, o Nordeste vem sofrendo vários ataques xenofóbicos pela internet, através de vídeos, nas redes sociais, etc.
Mas é interessante a proporção que a coisa vem tomando e a repercussão que vem sendo dada pelos próprios Nordestinos a esse tipo de ataque.
Acredito que essa nossa reação é na verdade desnecessária. Que baixo-estima é essa que estamos tendo? É até compreensível que tenhamos baixa autoestima, já que somos alvo de zombaria em diversas regiões do país. Somos taxados de pobres, analfabetos, feios, imigrantes que poluem São Paulo, sem cultura, etc., mas estamos muito sensíveis ultimamente e ficar dando uma de coitadinhos e se sensibilizar a todo momento com esse tipo de ação é uma opção nossa.
Sabemos que a liberdade de expressão existe e no mundo cibernético não é diferente. É um local para se expressar, para divergir, para contestar. Claro que respeito é bom e todo mundo gosta, mas cabe a nós ignorar essas reações e ficarmos acima delas.
Não estou defendendo ninguém, e confesso que algumas vezes me incomoda esse tipo de atitude, mas sei que sou melhor do que eles, especialmente porque não saio xingando ninguém gratuitamente, muito menos vivo alimentando ódio a determinada região ou cultura por ela ser diferente da minha.
Cada região tem suas particularidades, tem seu sotaque, sua culinária e uma pluralidade cultural imensa e dessa forma é preciso respeitar as diferenças, mas acima de tudo, valorizar o que temos de melhor.
E se puxarmos pela memória, podemos observar que temos sim muito do que nos orgulhar. Na literatura brasileira, por exemplo, temos nomes importantes como Jorge Amado, Raquel de Queiroz, Graciliano Barros, José de Alencar, entre outros.
Na música Luiz Gonzaga foi o percussor do baião, ritmo que desencadeou o xote, o xaxado e que fazem parte do forró e nomes como Dominguinhos, Jackson do Pandeiro, Sivuca, Alceu Valença, Elba Ramalho, Zé Ramalho são destaques por cantar e divulgar esse tipo de ritmo.
Temos as praias mais bonitas do Brasil, a capital mais verde do país com uma média de 54,7 árvores por habitante entre outras muitas riquezas que podemos e devemos nos orgulhar, sem precisar perder tempo ou ficar incomodados com insultos hipócritas e sem conhecimento de causa.
Somos um povo trabalhador, guerreiro, generoso, que damos valor as nossas raízes e bastante orgulhosos de nosso estado.
Tá mais do que na hora de começarmos a nos valorizar mais e deixar de dar importância a coisas tão pequenas diante de um povo tão grande que somos.
Luanja Dantas/Mais Patos