Projeto que acaba com lixões pronto para ser votado


O senador César Borges concluiu seu parecer sobre a Política Nacional de Resíduos Sólidos, e texto agora entrará na pauta do Senado. Entre as medidas, projeto obriga empresas a reciclar materiais
Geraldo Magela/Senado
Cesar Borges conclui relatório sobre política de resíduos sólidos: fim dos lixões e obrigatoriedade de reciclagem de materiais
O relatório do projeto que institui a Política Nacional de Resíduos Sólidos está pronto para votação no Senado. O parecer elaborado pelo senador César Borges (PR-BA) foi entregue na última semana e sugere três modificações de mérito na proposta que, entre outras coisas, estabelece o fim dos lixões no Brasil e prevê que as empresas sejam responsáveis por recolheram embalagens, produtos e materiais que possam ser reciclados.

Após 19 anos tramitando no Congresso, o projeto que estabelece como a sociedade brasileira deve organizar e gerenciar o seu lixo deve ser aprovado. A previsão é de que o relatório do senador César Borges seja apreciado, em conjunto, pelas comissões de Constituição e Justiça, de Assuntos Econômicos, de Assuntos Sociais e de Meio Ambiente na quarta-feira (9). Se aprovado, a proposta ainda precisa passar pelo plenário do Senado, antes de seguir à sanção.
Leia a íntegra do parecer do relator

Das mudanças feitas pelo relator, César Borges sugere a supressão de um artigo que proíbe a disposição final de lixo em unidades de conservação – áreas ambientalmente protegidas. A alteração – que será a retirada na íntegra do art. 48 
do substitutivo vindo da Câmara – deve causar polêmica. Segundo o relator, se for mantido o dispositivo, atividades de mineração ficam inviabilizadas.

“A permanência desse dispositivo compromete a atividade de mineração em áreas de preservação permanente, já disciplinada em legislação própria, uma vez que a disposição de rejeitos minerários é parte inerente da própria atividade”, afirma o senador baiano, argumentando que cabe ao poder público decidir sobre a “conveniência e os interesses de utilidade pública no caso de empreendimentos e atividades localizadas em áreas de preservação permanente”.

O parlamentar justifica ainda que, se mantida essa proibição, também serão prejudicados aterros sanitários e industriais já em operação e que contam com licenciamento ambiental. “Esses aterros sanitários e industriais poderão se tornar ilegais, dado que norma específica define como de utilidade pública as obras essenciais de infraestrutura destinadas aos serviços públicos de saneamento e as atividades de proteção sanitária”, defende César Borges.
Prazos

No parecer, o relator pede a retirada também do parágrafo único do art. 55. O artigo estabelece que a disposição final ambientalmente adequada dos rejeitos (lixo que não pode ser reutilizado nem reciclado) deve ser feita pela União, estados e municípios no prazo de quatro anos. O parágrafo único, no entanto, abre brecha para o não cumprimento desse período, ao permitir que estados e municípios estabeleçam outros prazos.

A disposição final do lixo deve estar explicitada nos planos de gestão de resíduos a serem feitos pelos três entes da Federação. Esses planos devem conter, entre outras coisas, metas de redução de produção de lixo, metas de reciclagem, metas para acabar com os lixões e um diagnóstico geral da produção de lixo. A elaboração do plano de gestão do lixo será, inclusive, condição para que estados e municípios recebam recursos da União.

O relator alerta que, se for mantido o parágrafo único, a disposição final ambientalmente adequada do lixo previsto nos planos ficará comprometida, já que não haverá prazo. “A disposição nele contida praticamente anula o estabelecido no caput, que trata da definição do prazo máximo de quatro anos para uma disposição final ambientalmente adequada dos rejeitos”, avalia.

Vaccarezza: PEC 300 pode ser votada amanhã


Se policiais e bombeiros concordarem em tirar valor do piso do texto, líder do governo afirma que ele pode entrar em pauta na terça-feira (1)
Líder do governo na Câmara, Cândido Vaccarezza (PT-SP) avalia que a PEC 300 pode entrar em votação nesta terça-feira. Contudo, para tanto, é necessário que policiais e bombeiros concordem em retirar o valor do reajuste da proposta de emenda constitucional, e aguardem que um projeto de lei trate do assunto após a promulgação da PEC. A proposta conta com o apoio formal de 321 deputados
“É preciso discutir com o futuro presidente da República e com os futuros governadores... Se não, eles entram na Justiça e não vai valer nada”, afirma o petista.
Amanhã, Vaccarezza terá uma reunião com parlamentares e representantes das categorias diretamente interessadas na PEC 300. Ele trará a posição oficial do governo sobre o assunto. A expectativa é de que, além de deixar para lei complementar o reajuste, o governo vai propor que o fundo para financiar as novas remunerações também fique de fora da PEC.
Na semana passada, representantes de policiais se reuniram com Vaccarezza e aceitaram retirar da PEC o reajuste salarial.Contudo, como a matéria não foi votada na noite da quarta-feira (26), as negociações retornaram à estaca zero
Para o deputado Capitão Assumção (PSB-ES), notório defensor da PEC, a posição do governo no episódio é “entristecedora”. “A intenção do governo é não votar nada que fale em piso”, destacou. Disposto a dar o braço a torcer, o parlamentar capixaba aposta que a PEC não será votada. “O objetivo é sufocar a PEC. Deixá-la morrer na Câmara Federal.”
Contudo, Assumção afirma que um mandato de segurança no Supremo Tribunal Federal (STF) é uma das possibilidades de forçar a Casa a apreciar a matéria. “Isso está sendo estudado”, explica.

Dengue migra para menores de 15 anos e deve se tornar "doença infantil" no Brasil


Casos de dengue registrados no Brasil estão migrando da população adulta para crianças e adolescentes menores de 15 anos. Para especialistas, a mudança é um indício de que a dengue pode se tornar uma "doença infantil" em todo o país --o que ocorreu no sudeste asiático.
Segundo o Ministério da Saúde, até 2007 praticamente não se tinha registro significativo nessa faixa etária. De lá para cá, a média passou para 1 caso em crianças a cada 4 em adultos.
No sudeste asiático, a dengue virou de fato uma "doença infantil". "Estamos caminhando para este modelo", diz Pedro Tauil, infectologista da UnB (Universidade de Brasília).
O deslocamento de casos para a parcela mais jovem da população ocorre porque, quando a pessoa é infectada, fica imune ao vírus que a contaminou, mas continua suscetível aos outros --há quatro tipos de dengue, três em circulação no Brasil.
Com epidemias sucessivas, grande parte da população adulta se contamina diversas vezes, e acaba protegida. As crianças, mais novas e, por isso, com menos contato com a doença, se tornam a parcela mais indefesa da população.
A situação da Ásia difere da do Brasil porque lá epidemias ocorrem há mais de 60 anos, enquanto aqui acontecem há pouco mais de 20.
"Mas esse deslocamento é um dado epidemiológico importante, porque mostra uma provável mudança no padrão de ocorrência de casos da dengue", diz Giovanini Coelho, coordenador do Programa Nacional de Controle da Dengue, do Ministério da Saúde.
Na epidemia de 2008 no Rio de Janeiro, a maior parte dos doentes tinha menos de 15 anos, diz o infectologista pediátrico Edimilson Migowski, da UFRJ. "Quando a doença faz parte do dia a dia da cidade, ela acomete a população pediátrica, que ainda não adoeceu."
A ocorrência em crianças está relacionada à reintrodução de sorotipos da doença. Em 2007, esteve ligada à volta da circulação do tipo 2. Neste ano, o tipo 1 voltou com força. Como a última epidemia de dengue 1 ocorreu nos anos 90, quem nasceu depois ficou suscetível.
A reintrodução do tipo 1 é citada pelo ministério como um dos fatores que causaram a epidemia deste ano. Até abril, houve aumento de 80% em relação a igual período de 2009.
O ministério ainda não contabilizou os casos de dengue por faixa etária neste ano. Porém, em cidades como Porto Velho e Campo Grande --duas das mais atingidas pela doença em 2010--, registros em menores de 15 anos são 20% do total. Os dados são das secretarias municipais de Saúde.
Diagnóstico
Não há, segundo o infectologista Benedito Antonio Lopes da Fonseca, da USP Ribeirão, indícios de que a dengue seja mais grave em crianças. O problema maior está no diagnóstico, devido à dificuldade que crianças pode ter para se expressar, segundo Coelho.
A dengue também é motivo de preocupação em menores de um ano. O infectologista Luiz Jacintho, da Unicamp, diz que grande parte das mulheres que estão tendo filhos hoje cresceram num país com dengue, e algumas já foram infectadas.
Quando têm filhos, passam anticorpos para o bebê, que podem ficar na criança até ela ter cerca de um ano. Os filhos ficam protegidas contra aquele sorotipo. Porém, se contraírem outro tipo da doença, podem desenvolver uma forma mais grave, pois o vírus age como numa segunda infecção, quando costuma ser mais violento.

Empresas não poderão exigir que trabalhadores façam teste de HIV


As empresas não poderão mais submeter seus trabalhadores a exames de HIV, seja de forma direta ou indireta, prevê portaria do Ministério do Trabalho e Emprego, publicada nesta segunda-feira no "Diário Oficial da União". A proibição inclui processos de admissão, mudança de função, avaliação periódica, retorno, demissão ou qualquer outro ligado à relação de emprego.
A Portaria nº 1.246 tem como base a Lei nº 9.029, de 13 de abril de 1995, que proíbe a adoção de qualquer prática discriminatória e limitativa para a admissão ou a manutenção do emprego.
O texto também se baseia na Portaria Interministerial nº 869, de 12 de agosto de 1992, que proíbe, no âmbito do serviço público federal, a exigência de teste para detecção do HIV tanto nos exames pré-admissionais quanto nos periódicos de saúde.

Bill Clinton participa dos 30 anos da Universidade Potiguar neste sábado (05)

O ex-presidente dos Estados Unidos, Bill Clinton visita o Rio Grande do Norte neste sábado (05), onde participará das comemorações de 30 anos da Universidade Potiguar. Clinton vai falar para uma platéia de professores, alunos e convidados, na condição de fundador da Fundação William J. Clinton. A palestra começa as 16h30 na UnP da Roberto Freire. O ex-presidente americano sairá direto do Aeroporto Internacional Augusto Severo direto para o evento, sem conceder nenhuma entrevista à imprensa potiguar.

Maranhão diz que aliança com o PR pode ser definida ainda hoje


Governador revela que Wellington não quer a vaga de vice

O governador José Maranhão (PMDB) revelou na tarde segunda-feira (31) que aliança entre o PMDB e o PR para as eleições estaduais deste ano pode ser definida ainda hoje. Segundo Maranhão, o acordo está praticamente ‘sacramentado’.
“Estamos de pleno acordo que a aliança é boa Paraíba e para todos os paraibanos e a definição da aliança pode acontecer ainda hoje”, declarou.
Maranhão declarou ainda que Wellington já externou que não quer o cargo de vice na chapa majoritária da situação e que pretende mesmo disputar as eleições para o Senado Federal.
“Wellington já disse que não quer entregar a chapa como vice, que pode disputar como senador. Mas, também destacou que faz o que for mais adequado para a estratégia voltada para a vitória da coligação no pleito”, afirmou.
Com relação à participação do PT na chapa, o governador assegurou espaços para o partido.
“Este é nosso desejo: colocar o PT na chapa majoritária”, sustentou.
PR de Campina confirma apoio a Maranhão
Antes mesmo do presidente estadual do PR, o deputado Wellington Roberto, confirmar a aliança com o PMDB, o presidente do diretório do partido em Campina Grande, Rilmar Fernandes, anunciou apoio a reeleição de Maranhão.
“Após reunião com os vereadores Rodolfo Rodrigues e Pastor Batista, decidimos pelo apoio ao governador José Maranhão, antes mesmo da decisão do presidente Wellington”, disse Rilmar.
Rilmar disse que a decisão de Wellington deverá ser anunciada em breve. Ele também acrescentou que não existe a menor possibilidade do presidente votar no ex-prefeito de João Pessoa, Ricardo Coutinho (PSB), para governador.
“Wellington não tem muita amizade com Ricardo, é a mesma amizade que Cícero tem com o ex-prefeito, ou seja, nenhuma”, destacou.
Cristiano Teixeira
WSCOM Online

Após escândalos dos fantasmas, Raissa não se solidariza com Efraim e “colega” da Câmara dispara: “Ela quer ver senador fora da chapa”

Um vereador de mandato presenciou um diálogo esta semana no plenário entre Raissa e um colega que perguntou: “Raissa e os fantasmas?”, de imediato a vereadora rebateu: “eu quero lá saber de fantasmas, isso é com o Efraim!”, disparou.

A mesma fonte contou ao PB Agora que tal postura em evitar se solidarizar com o presidente estadual da legenda, visa dar uma resposta ao não aproveitamento de familiares na gestão de Luciano Agra (PSB): “Ela quer ver ele fora da chapa”, profetizou a fonte.

A mesma fonte confidenciou que a vereadora anda um pouco cabisbaixa e que após aderir ao esquema socialista, estaria com inveja dos vereadores que estão sendo bem tratados pelo governador José Maranhão (PMDB), e recentemente participaram de almoço em badalada churrascaria da Capital: “A vida é feita de escolhas”, disse o vereador dando uma boa gargalhada.

Mais adesões: Prefeito do PSDB opta por Maranhão elevando para 60 o número de adesões

Mais um prefeito de oposição e ligado ao senador Cícero Lucena, resolve aderir ao projeto do governador José Maranhão, de disputar a reeleição como pré-candidato do PMDB.

Trata-se de Manoel Marcelo de Andrade (PSDB), de Serra Redonda, que também já anunciou seu apoio à pré-candidatura de Benjamin Maranhão à Câmara dos Deputados.

Marcelo tomou esta decisão no último final de semana, por entender que José Maranhão é a melhor opção para a Paraíba, a partir da desistência de Cícero de disputar a sucessão estadual nas eleições de outubro próximo.

Já são mais de 60 adesões em pouco mais de um ano, de prefeitos eleitos pelo grupo de oposição, ao governador José Maranhão, desde que assumiu o mandato, em 18 de fevereiro de 2009.

A ‘enxurrada’ de adesões tem incomodado a oposição, que insiste em não acreditar nas palavras dos gestores municipais e tentam emplacar a tese da cooptação. Os recém-aliados desmentem e falam em parceria e até união de forças pelo projeto de José Maranhão.

É o caso, por exemplo, do prefeito de Nova Floresta, João Elias da Silveira Neto (‘Meu Louro’), do DEM, que se aliou a candidata a prefeita Maria de Fátima Dantas Azevedo, presidente do Diretório do PMDB no município. Adversários nas eleições municipais de 2008, os dois já anunciaram a Maranhão que decidiram se unir pelo projeto de reeleição do governador.

“Essa união é importante porque precisamos de todas as forças juntas para que o governador possa dar continuidade ao trabalho que vem desenvolvendo nessa administração, por mais quatro anos. O prefeito acredita nisso e, por isso, decidiu apoiar o governador nessa luta”, destacou Fátima Azevedo.

Para o prefeito de São João do Rio do Peixe, José Lavoisier (PP), a relação entre o governo do Estado e a Prefeitura está acima de arestas políticas. “Nada impede uma parceria política e institucional entre prefeito e governador. Alguns prefeitos ficam inibidos, mas o caminho não é esse. Acima de tudo, está a população”, ressaltou.

José Lavoisier acredita que o político tem de preservar o interesse público. Ele, que foi um dos que aderiram a Maranhão, disse que o governador tem trabalhado sem mesquinhez política e sem perseguição. “Quando a pessoa quer conquistar e crescer tem de trabalhar dessa forma”, garantiu o prefeito.

Itamar Mangueira (DEM), prefeito de Triunfo, complementou o que pensa Lavoisier: “É uma parceria de administração para administração”, disse o gestor, eleito pelo DEM. “Eu conheço o trabalho dele (Maranhão) e o governo municipal não pode andar sem a parceria com o Estado”, afirmou Itamar.

O prefeito de Belém do Brejo do Cruz, Germano Lacerda (PSB), já decidiu qual pré-candidatura apoiar nas eleições deste ano: a do governador José Maranhão. “Eu sou PSB, mas nem por isso vou desviar do progresso do Estado”, justificou Germano Lacerda. Em tom bastante seguro, o prefeito disse não temer retaliação.

Germano Lacerda ressaltou que o apoio a Maranhão passa por seguir o desenvolvimento da Paraíba. Também citou como pontos positivos o diálogo honesto e o trabalho por parte do governo Maranhão III em relação à gestão anterior.

Portas abertas – O governador José Maranhão, por sua vez, afirmou que levar ações aos 223 municípios paraibanos é uma das prioridades do governo. Ele tem respondido às críticas da oposição, que o acusa de tentar cooptar os gestores, afirmando que as portas do Palácio da Redenção estão abertas a todos, independente de partido.

“A gente pode até ser adversário do prefeito e o prefeito adversário do governador, mas nem o prefeito, nem o governador podem ser adversários do povo”, ressaltou o governador. E mais: “Hoje existe um novo governo, que respeita a opinião pública e, sobretudo, que respeita os administradores públicos”.

A causa da ‘dor de cotovelo’ da oposição, como classificou Maranhão, seria porque os prefeitos têm sido recebidos, sem discriminação, para discutir projetos e ações de governo. Para Maranhão, a parceria entre governo do Estado e municípios é uma necessidade. “Quando você tem parceria, você potencializa os recursos empregados em torno de qualquer obra”, disse o governador.

Maranhão afirmou que todas as adesões conquistadas, por parte de prefeitos eleitos pela oposição, foram espontâneas e sem barganhas. Perguntado sobre que estratégia iria adotar para “segurar” essas alianças, Maranhão afirmou que “em tese toda aliança que se faz é visando uma vigência duradoura”.

“As adesões não são negociação na base do toma lá dá cá. Todos me procuraram espontaneamente, sem apresentar nenhum condicionamento. Eu tenho certeza de que serão duradouras porque correspondem a um anseio da própria população”, declarou.

VEM AÍ NO SÃO JOÃO 2010 EM PATOS, PARANGOLÉ, PRA VOCÊ ENTRAR NO REBOLATION.





Dia 19 de junho no Patos Tênis Clube,a maior senssação do momento, PARANGOLÉ direto da Bahia, no São João 2010 em Patos Paraíba.


A festa terá início ás 16 horas,e tem como titulo, ARRASTAXÉ, que frisa a desenvoltura e o sucesso dessa festa junina que contagiou a região e traz  a descontração e o sucesso dos carnavais da Bahia em uma mistura de ritmos em uma festa que promete entrar pra história do São João de Patos.


Notícias do vale

Senador Efraim Morais (DEM) está cada vez mais isolado na Paraíba


Nas ruas de João Pessoa, eleitores acreditam que ele não escapará da punição das urnas

João Pessoa (PB) — A entrevista começou no gabinete dele, na Assembleia Legislativa, e acabou na praça João Pessoa, centro histórico da capital paraibana — o deputado estadual Francisco de Assis Quintans (DEM) aceitou o desafio da reportagem de ir para a rua fazer a defesa do senador. ``Talvez fosse mais cômodo evitar me pronunciar sobre o assunto agora, mas meu pai não me criou assim. Eu não me curvo a pré-julgamentos”, afirma ele. Engenheiro civil, professor da Universidade Federal da Paraíba, Quintans está há 30 anos na política — mas não quer o mesmo destino nem para os filhos nem para os amigos: “Não quero filho meu nisso, não. Política é um ambiente muito cruel. Por isso que mandei logo os meus (são dois, um rapaz e uma moça) para estudar no exterior.``

Efraim Morais elegeu-se senador em 2002. Antes fora deputado estadual (por dois mandatos) e deputado federal (três mandatos). No Senado, presidiu a CPI dos Bingos e consolidou perfil de adversário do PT. É conhecido pela relação de proximidade que mantém com suas bases. ``Se ele encontrar com o vereador Preto, de Barra de Santa Rosa, lá no Curimataú, ele vai reconhecer o vereador e lembrar o nome dele. Tem uma memória…``, diz o deputado. E se o vereador Preto telefonar para ele em Brasília, ele atende? ``Nesse momento, não, por causa dessa crise. Mas em situação normal, é claro que ele atende.``

A poucos metros da Praça João Pessoa fica o Ponto dos Cem Réis, outra praça, que historicamente tem sido o melhor termômetro político da cidade. Quer saber como está a avaliação do governo, as chances de um candidato majoritário e as possibilidade de um político acuado por denúncias escapar de algum tipo de condenação? Vá ao Cem Réis, sente-se no meio do povo e puxe conversa. Nesse roteiro, o otimismo do deputado Quintans com o destino do senador Efraim sai chamuscado.
"Em Brasília o senador vai escapar, porque lá tem muita porta pra sair de fininho. Mas aqui não vai, não. Se ele for candidato vai ser igual ao Ney: tchum!", afirma o profissional liberal Antônio Carlos da Silva, 52 anos, passando o dedo no pescoço numa simulação de degolamento. O "Ney" a que ele se refere é Ney Suassuna (PMDB), acusado de participar de um suposto esquema de corrupção para beneficiar uma empresa privada e que perdeu a eleição para o Senado em 2006 (o vitorioso foi Cícero Lucena, PSDB). Uma das razões da derrota teria sido o desgaste causado pelas denúncias.

Efraim é pré-candidato à reeleição, na chapa encabeçada por Ricardo Coutinho, do PSB (ex-prefeito de João Pessoa). O outro pré-candidato ao Senado, na mesma chapa, é Cássio Cunha Lima (PSDB), governador cassado em 2009, acusado de abuso de poder econômico e político em 2006. Entre aliados e adversários, a opinião hoje predominante é que Efraim deve abrir mão da candidatura à reeleição para disputar um mandato de deputado federal. O senador nega que isso esteja em suas cogitações.

"O projeto Ficha Limpa vai ser muito importante para nossa chapa", garante o deputado Quintans. Diante do ar de surpresa do repórter, antecipa-se: "A cassação de Cássio fez dele aqui uma vítima". E o caso de Efraim? "Não, não, aí é pré-julgamento, e pré-julgamento eu não vou fazer."

Comissionados
Como o Correio revelou na semana passada, o senador tem 68 funcionários comissionados em seu gabinete (a média no Senado é de 30). Desse total, 43 são dispensados da necessidade de comprovar presença, tendo o ponto abonado por Efraim. Trabalham em núcleos regionais na Paraíba, informou a assessoria do senador. Quando está em João Pessoa, Efraim costuma manter encontros na sede do DEM, partido do qual é presidente estadual — mas lá ninguém aceita falar sobre a situação dos servidores do gabinete dele.

O escândalo de supostos funcionários fantasmas do gabinete do senador estourou com a denúncia das irmãs Kelly e Kelriany Nascimento da Silva, feita na 13ª DP (Sobradinho). Os nomes delas constam como funcionárias do Senado, mas as duas afirmaram que nunca receberam os salários (de R$ 3,8 mil, cada uma). A assessora parlamentar do senador Mônica da Conceição Bicalho assumiu a responsabilidade pela contratação das duas, e disse que o parlamentar nada tinha a ver com o caso. Cada senador tem direito a uma verba de R$ 80 mil mensais para a contratação de funcionários comissionados.

À medida que aumentam as denúncias contra o senador Efraim Morais (DEM-PB) em Brasília, diminuem na Paraíba os aliados dispostos a defendê-lo abertamente. A reportagem encontrou um, o deputado estadual Francisco de Assis Quintans (DEM). ``Aquele Congresso já destruiu a honra de muito homem de bem``, afirma ele, com ar grave e dedo em riste apontando para uma Brasília imaginária. ``Mas não vai conseguir fazê-lo com o nosso senador``, completa, em tom de desafio.

Memória

Confira algumas denúncias envolvendo o senador Efraim Morais (DEM-PB)

Fantasmas I
Em maio de 2009, denúncia contra Efraim acusou o parlamentar de usar verba do Senado para contratar mais de 50 cabos eleitorais na Paraíba. O senador argumentou que os funcionários estavam relacionados na lista de comissionados e seriam responsáveis pela realização de serviço externo para o gabinete.

Fantasmas II

No último dia 18, duas estudantes registraram queixa na 13ª DP reclamando que suas identidades estavam sendo usadas de maneira irregular. Kelly Janaína Nascimento Silva e a irmã Kelriany Nascimento eram lotadas no gabinete de Efraim e afirmam que só souberam do fato depois de tentar abrir conta bancária para um processo admissional.

Publicidade
Efraim é investigado por contrato supostamente superfaturado com a mesma empresa responsável pela manutenção de seu blog, que teria recebido valores acima dos praticados pelo mercado para exibir propaganda do Senado, em julho de 2008, época em que ocupou a Primeira Secretaria.

Nepotismo
Após a validação da súmula vinculante do Supremo Tribunal Federal que proíbe o nepotismo, em setembro de 2008, descobriu-se que seis sobrinhos e sete familiares de aliados políticos estavam lotados no gabinete do senador como comissionados.

Operação Mão de Obra
Em agosto de 2008, Efraim teve o nome envolvido em suposta fraude na contratação de mão de obra terceirizada pelo Senado, com suspeita de direcionamento de licitações.

Terreno da União
O senador teria invadido terreno federal durante construção de casa na praia de Caboinhas (PB) e teria sido notificado pela Secretaria do Patrimônio da União, em maio de 2009.

Atos secretos
Efraim teria feito movimentações no quadro de funcionários — contratações, exonerações e concessão de benefícios — por meio de boletins administrativos não divulgados no sistema interno do Senado, os chamados atos secretos. A denúncia surgiu em junho de 2009.

Indícios de fraudes
por Josie Jeronimo

O senador Efraim Morais (DEM-PB) está em evidência por denúncias de irregularidades na contratação de funcionários de seu gabinete, como falta de controle de ponto, funcionários nomeados com desvio de função, indícios de fraudes em nomeação e informalidade na obtenção de documentos admissionais. A lista de incoerências administrativas no gabinete engrossam o histórico de denúncias contra o senador. Efraim já foi acusado de usar seu mandato para empregar parentes, fechar contrato de publicidade superfaturado e desrespeitar terreno da União (veja quadro ao lado), mas as denúncias contra o parlamentar ainda não desencadearam apuração mais profunda, conduzida por seus pares, no conselho de ética do Senado.

A súmula vinculante do Supremo Tribunal Federal (STF) que acabou com a prática de empregar parentes não conseguiu frear a acomodação de famílias inteiras de aliados políticos no gabinete do senador do DEM. Na lista de funcionários comissionados de Efraim há sobrenomes conhecidos na Paraíba como os Nepomuceno, que ocupam pelo menos cinco vagas pagas pelo Senado, os Cunha Lima e a família Conceição Bicalho, do Distrito Federal. Na lista de funcionários há, até mesmo, uma professora aposentada de Pernambuco que supostamente trabalha no escritório de Efraim na Paraíba.

As nomeações conturbadas que hoje colocam o gabinete de Efraim no centro dos escândalos dos fantasmas já foram tema de outras contestações à época da divulgação dos atos secretos do Senado. O expediente de promover alterações e conceder benefícios a integrantes do quadro funcional sem divulgar as decisões também foi usado por Efraim. Funcionários que ainda constam na lista de comissionados do gabinete foram nomeados por meio de atos secretos.
Vandeck Santiago