Depois de aproximadamente quatro meses de uma verdadeira batalha envolvendo trabalho técnico, adequações, documentação, investimentos e muita persistência, uma notícia aguardada com ansiedade por dezenas de famílias começa a devolver esperança à região: dois trechos de exploração na Serra do Poção receberam autorização para voltar a funcionar após o cumprimento das exigências estabelecidas pelo Ministério do Trabalho, conforme relato da engenheira responsável pelo processo.
Por trás dessa conquista está o trabalho da varzeense e Engenheira do Trabalho Verônica Ramalho, que acompanhou de perto todo o processo de regularização. Segundo Verônica, ela foi contratada inicialmente pelos empresários que possuíam trechos interditados na Serra do Poção, sendo cada área tratada individualmente, já que as interdições e as exigências também eram específicas para cada empreendimento.
Durante esse período, alguns empresários acabaram não dando continuidade às adequações necessárias, seja diante das dificuldades financeiras, seja pelo desânimo provocado pela situação. Entretanto, dois empresários, Kina, de Ouro Branco-RN, e Robson, decidiram seguir adiante, enfrentando os obstáculos e realizando as mudanças necessárias para buscar a reabertura de seus respectivos trechos.
De acordo com o relato de Verônica, foram meses de trabalho intenso. Houve investimentos dos próprios empresários na contratação de máquinas, aquisição de materiais e implantação das estruturas necessárias para atender às determinações apresentadas durante o processo de fiscalização. A Prefeitura Municipal de Várzea também contribuiu com apoio de maquinário, enquanto os demais custos das adequações ficaram sob responsabilidade dos empresários.
Verônica relata ainda que, ao longo dos quatro meses, foram realizadas duas vistorias do Ministério do Trabalho, que acompanharam e avaliaram as adequações executadas. Segundo ela, o trabalho desenvolvido nos dois trechos atendeu às exigências apresentadas, possibilitando que os empresários avançassem no processo de liberação e recebessem decisões permitindo a retomada das atividades.
A partir da reabertura, porém, começa também uma nova etapa marcada pela responsabilidade. Conforme explicou a engenheira, os trabalhadores deverão ser devidamente contratados e registrados, e todas as determinações relacionadas à segurança e às condições de trabalho precisarão continuar sendo rigorosamente cumpridas. Verônica ficará responsável tecnicamente pelo acompanhamento das atividades, para que os empreendimentos permaneçam funcionando dentro das normas exigidas.
Mas existe um aspecto dessa história que merece destaque especial. Segundo informado ao Blog Jefte News, Verônica Ramalho não cobrou pelos serviços prestados nesse trabalho de regularização. Mesmo diante de meses de dedicação, documentos, orientações, acompanhamento e inúmeras horas de trabalho, a engenheira varzeense decidiu contribuir voluntariamente porque havia uma motivação que, para ela, estava acima da questão financeira: ver os pais e mães de família de Várzea e da região recuperarem a possibilidade de trabalhar e colocar o pão dentro de casa.
Foram noites dedicadas à análise de documentos, busca por informações e entendimento das exigências legais. Verônica relata que chegou a trabalhar inclusive aos sábados e durante o período de São João, juntamente com os empresários que decidiram continuar acreditando na possibilidade de regularização. Enquanto havia quem afirmasse que os trechos jamais voltariam a funcionar, o grupo permaneceu trabalhando para demonstrar que, com as adequações necessárias, seria possível construir um caminho para a retomada legal das atividades.
A engenheira também destacou a postura dos profissionais do Ministério do Trabalho, classificando a atuação do órgão durante o processo como ética e profissional. Segundo seu relato, as dúvidas foram esclarecidas e as exigências necessárias para a regularização foram apresentadas, permitindo que o trabalho técnico fosse direcionado ao cumprimento das normas.
O caminho, entretanto, não teria sido tranquilo. Verônica afirma que, durante esses meses, ela e os empresários receberam críticas, ouviram que estariam “perdendo tempo” e chegaram a receber ameaças de novas denúncias a outros órgãos na tentativa de dificultar a retomada das atividades. Apesar disso, ela afirma ter continuado buscando informações, estudando a legislação e procurando compreender todos os procedimentos relacionados à atividade mineral para conduzir o processo dentro da legalidade.
Com o resultado alcançado por Kina e Robson, a expectativa agora é que outros empresários que tiveram suas áreas atingidas pela interdição também retomem seus processos de adequação. Segundo Verônica, alguns já estariam procurando informações para dar continuidade aos trabalhos e preparar documentação e estruturas necessárias para futuramente solicitarem suas próprias liberações.
A engenheira aproveitou ainda para fazer um chamado à união das comunidades e cooperativas de Várzea, Ouro Branco, Caicó, Santa Luzia e de toda a região ligada economicamente à atividade mineral. Para ela, este é o momento de abandonar divisões e trabalhar para que aqueles que desejam exercer suas atividades possam fazê-lo dentro das normas, respeitando a legislação, a segurança dos trabalhadores e todas as exigências dos órgãos responsáveis.
A questão da Serra do Poção ultrapassa os limites dos empreendimentos. Por trás de cada área de trabalho existem funcionários, fornecedores, pequenos comerciantes e, principalmente, famílias que dependem direta ou indiretamente da atividade para sobreviver. É justamente esse aspecto social que torna a retomada das atividades tão importante para Várzea e municípios vizinhos.
A conquista desses primeiros dois trechos também demonstra que regularização e geração de emprego podem caminhar juntas. A retomada não significa voltar ao cenário anterior simplesmente, mas iniciar uma nova fase, com trabalhadores formalizados, acompanhamento técnico e cumprimento das exigências determinadas pelos órgãos competentes.
Para Verônica Ramalho, o resultado representa a confirmação de que todo o esforço realizado ao longo dos últimos quatro meses não foi em vão. Mesmo diante das dificuldades, das críticas e do descrédito de parte das pessoas, o trabalho continuou até que os primeiros resultados fossem alcançados.
É uma vitória dos empresários que acreditaram, dos trabalhadores que aguardaram, das famílias que não perderam a esperança e, especialmente, um reconhecimento ao trabalho técnico e voluntário da engenheira varzeense Verônica Ramalho, que colocou seu conhecimento profissional a serviço de uma causa que atinge diretamente sua própria terra.
Agora, a esperança é de que esses dois trechos sejam apenas os primeiros de outros que poderão seguir o mesmo caminho: adequar, regularizar, cumprir a lei e voltar a produzir, devolvendo emprego e renda a quem passou meses esperando por uma oportunidade de retornar ao trabalho.
Na Serra do Poção, depois de meses de incerteza, a notícia que muitos pais de família esperavam finalmente começa a ganhar forma: o trabalho pode recomeçar — desta vez, com regularização, responsabilidade e acompanhamento técnico.
















