Município que já viveu um período de crescimento econômico impulsionado pela exploração da scheelita volta a despertar o interesse do setor mineral. Alvará expedido em 15 de agosto de 2026 autoriza pesquisa em uma área de mais de 1.400 hectares, reacendendo expectativas de investimentos e geração de empregos no Vale do Sabugi.
O município de Várzea, localizado no Vale do Sabugi, no Sertão da Paraíba, volta a ganhar destaque no cenário da mineração. A Agência Nacional de Mineração (ANM) autorizou uma nova pesquisa de scheelita, mineral de grande valor industrial, em uma área que abrange Várzea-PB, São João do Sabugi-RN e Ipueira-RN. A autorização representa um novo capítulo para uma região que já teve na exploração mineral uma de suas mais importantes atividades econômicas.
O Alvará de Pesquisa nº 6.069, datado de 15 de agosto de 2026 e publicado no Diário Oficial da União em 27 de agosto, foi concedido à empresa Brazil Mining Importação e Exportação Ltda., inscrita no CNPJ nº 46.585.536/0001-17. A autorização contempla uma área de aproximadamente 1.441,8 hectares e estabelece um prazo de três anos para a realização dos estudos geológicos e demais trabalhos de pesquisa mineral.
Mas o que torna essa notícia ainda mais significativa para Várzea é justamente sua ligação com o passado. Afinal, a exploração da scheelita não é uma novidade na história do município. Pelo contrário, foi uma atividade que marcou gerações, movimentou a economia e contribuiu para o crescimento da cidade.
Durante décadas, Várzea viveu um importante período de atividade mineral, especialmente com a exploração da scheelita na histórica Mina Quixaba. A mineração atraiu trabalhadores, movimentou o comércio, gerou renda para inúmeras famílias e ajudou a transformar a realidade econômica e social da região.
Os registros históricos apontam que a exploração na Mina Quixaba começou ainda na década de 1940, inicialmente por meio do garimpo. Entre 1942 e 1953, aproximadamente 200 garimpeiros chegaram a trabalhar na localidade. Posteriormente, a atividade passou por um processo de mecanização e ganhou características empresariais, permanecendo em funcionamento até a década de 1980.
A importância dessa atividade foi tamanha que estudos acadêmicos registram a produção histórica de milhares de toneladas de scheelita em Várzea, com destinação para mercados internacionais, incluindo países da Europa e os Estados Unidos.
Naquele período, a mineração representava muito mais do que a retirada de um minério do subsolo. Era uma atividade que sustentava famílias, criava oportunidades de trabalho e fazia o dinheiro circular pelo comércio local e regional. Trabalhadores de outras localidades chegavam em busca de emprego e melhores condições de vida, contribuindo também para o crescimento populacional do município.
Embora os benefícios econômicos tenham sido expressivos para trabalhadores e comerciantes, estudos históricos também apontam que a arrecadação tributária municipal ficou aquém do potencial da atividade. Ainda assim, a exploração da scheelita deixou marcas profundas na formação econômica e social de Várzea.
Com o passar dos anos, especialmente diante das oscilações dos preços internacionais do minério, a atividade perdeu força e acabou sendo interrompida na Mina Quixaba. O município precisou buscar outras alternativas econômicas, enquanto a história da mineração permaneceu viva na memória de antigos trabalhadores e moradores.
Agora, décadas depois, a nova autorização para pesquisa mineral reacende o interesse por uma atividade que já teve grande importância para Várzea e para todo o Vale do Sabugi.
A scheelita é uma das principais fontes de tungstênio, metal utilizado na fabricação de ferramentas industriais, equipamentos de alta resistência, componentes eletrônicos e materiais empregados em diferentes setores tecnológicos. Sua importância estratégica mantém o interesse da indústria por novas reservas economicamente viáveis.
É fundamental esclarecer, entretanto, que o alvará concedido pela ANM autoriza a realização de pesquisas e não significa que uma nova mina será imediatamente instalada. Os estudos deverão identificar a existência, a quantidade, a qualidade e a viabilidade econômica de eventuais depósitos minerais. A futura exploração comercial dependerá de outras autorizações e do cumprimento das exigências legais e ambientais.
Caso as pesquisas apresentem resultados positivos, Várzea poderá voltar a discutir perspectivas concretas de investimentos no setor mineral, com possibilidades de geração de empregos diretos e indiretos, contratação de serviços e fortalecimento da economia regional.
A história demonstra que o município possui uma ligação antiga com a mineração. A experiência do passado também reforça a importância de que eventuais novos empreendimentos tragam benefícios duradouros à população, respeitem o meio ambiente e contribuam efetivamente para o desenvolvimento local.
Para quem conhece a história de Várzea, falar em scheelita é também recordar um período em que a mineração ajudou a movimentar a economia, sustentou famílias e contribuiu para o crescimento do município.
A nova autorização desperta, portanto, não apenas curiosidade sobre as riquezas existentes no subsolo, mas também expectativas sobre a possibilidade de uma atividade econômica histórica voltar a ganhar protagonismo.
Várzea já escreveu um capítulo importante de sua história com a exploração da scheelita. Agora, com uma nova pesquisa autorizada, surge a expectativa de que o potencial mineral da região possa abrir caminhos para outro período de desenvolvimento econômico. Se isso acontecerá, somente os resultados dos estudos poderão confirmar.
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