Bullying ainda preocupa na Paraíba

A prática do bullying, que é a forma de agressão verbal ou física, ainda é uma situação recorrente nas salas de aula das escolas públicas da Paraíba. É o que aponta o Relatório Nacional da Pesquisa Internacional sobre Ensino e Aprendizagem (Talis) de 2013. Conforme a pesquisa, 46,4% dos professores que lecionam do 6º ano 9º ano do ensino fundamental no Estado, que lidera o ranking negativo entre os estados do Nordeste, presenciaram situações de intimidação ou ofensa verbal entre os alunos.

O estudo revelou que o percentual de atitudes agressivas nas salas de aula paraibanas supera o dado nacional, que foi de 34,4%.

Conforme a pesquisa, que foi realizada pela Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico, contou com a participação de 34 países, e no Brasil foi coordenada pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep). O resultado que mostra a realidade brasileira é o pior entre os países que participaram da pesquisa, como o México.

Outro dado que coloca a convivência dos alunos da segunda fase do fundamental do Estado em situação delicada está relacionado a ações de vandalismo e furto. Na Paraíba, 17% dos professores entrevistados disseram que já presenciaram esses dois delitos entre os estudantes. O dado também supera o percentual nacional, 11,8%.

O estudo não aponta quantos professores participaram da pesquisa na Paraíba ou em quantas escolas os questionários foram aplicados. Contudo, os dados apresentados na pesquisa divulgada pelo Inep são considerados preocupantes para aqueles que estão no dia a dia nas escolas. Na opinião do coordenador-geral do Sindicato dos Professores do Estado, Carlos Belarmino, as situações envolvendo bullying entre os estudantes do ensino fundamental são recorrentes. Ele destacou sobretudo o uso das novas tecnologias como uma ferramenta de maior disseminação das agressões entre os alunos.

“Hoje todo aluno tem um celular e a facilidade deles em divulgar uma foto ou um vídeo envolvendo uma situação constrangedora do colega é evidente. Esse problema do bullying vai desde a situação por conta da aparência física do outro, até a religião, o gênero. Só que quando a gente vai orientar sobre isso vem a questão da agressividade de alguns alunos e por causa da violência muitos diretores têm medo”, lamentou o representante dos professores da rede estadual.

Promotora da Educação em João Pessoa, Ana Raquel de Brito também reforçou que o problema do bullying ainda está presente nas unidades de ensino. Contudo, ela destacou que uma das ações de combate ao problema é o programa 'Na escola com respeito', que desde 2013 leva atividades de capacitação para educadores e funcionários da rede pública municipal. Segundo a promotora, este ano a ação está atendendo as escolas municipais da zona sul da capital.

A pesquisa revelou ainda que 20,9% dos professores e educadores também perceberam atitudes agressivas de alunos para com professores e funcionários das escolas.

Fonte: Katiana Ramos-Jornal da Paraiba