A
data foi lembrada em diversas cidades brasileiras. No Rio de Janeiro
foi organizado um protesto, na Cinelândia, em frente à Câmara de
Vereadores. O integrante da coordenação nacional da Campanha Permanente
Contra os Agrotóxicos e Pela Vida Alan Tygel criticou o modelo agrícola
brasileiro, dirigido à exportação e altamente dependente de agrotóxicos.
“Nós,
aqui no Brasil, estamos desde 2008 na liderança como os maiores
consumidores de agrotóxicos no mundo. Isso por conta do modelo adotado
pelo país, do agronegócio. O Brasil se coloca no cenário mundial como
exportador de matérias primas básicas, sem nenhum valor agregado, como é
o caso da soja, do milho e da cana. São produtos que ocupam a maior
parte da área agricultável brasileira, à medida em que a superfície para
alimentos básicos vem diminuindo”, destacou o ativista.
Segundo
ele, o país é campeão no uso de agrotóxicos, com consumo per capita de
5,2 litros por habitante ao ano. “Mas isso não é dividido de forma
igual. Se pegarmos municípios do Mato Grosso, por exemplo, como Lucas do
Rio Verde, lá se consome 120 litros de agrotóxicos por habitante”,
alertou Tygel. Os ambientalistas querem o fim da pulverização aérea -
medida já praticamente banida em toda Europa -, o fim da comercialização
de princípios ativos proibidos em outros países e o fim da isenção
fiscal para os agrotóxicos.
“Uma das nossas bandeiras é o fim da
pulverização aérea, pois uma pequena parte do agrotóxico cai na planta, e
a grande parte cai no solo, na água e nas comunidades que moram no
entorno. Temos populações indígenas pulverizadas por agrotóxicos, que
desenvolveram uma série de doenças, desde coceiras e tonteiras até
câncer e depressão, levando ao suicídio e à má formação fetal”,
enfatizou Tygel.
Além disso, ressaltou que o meio ambiente é
fortemente impactado, com extinção em massa de diversas espécies de
insetos, como abelhas, repercutindo na baixa polinização das plantas e
na produção de mel. Também as águas são contaminadas com moléculas
absorvidas pelos animais e pelo ser humano, levando a uma série de
doenças, que muitas vezes são passadas das mães para os filhos. Mais
informações sobre o assunto podem ser obtidas na página www.contraosagrotoxicos.org.
Fonte: Agência Brasil