Muitos pais não veem problema em deixar o filho adolescente tomar uma latinha de cerveja durante uma festa familiar. Todavia, essa mesma latinha pode levar o filho a frequentar o grupo de Alcoólicos Anônimos anos mais tarde. Alguns até apresentam o filho ao 'primeiro gole' de bebida. Pode até parecer exagero, mas é exatamente desse jeito que acontece. Apesar de não ter números oficiais sobre o índice de consumo de bebida alcoólica entre jovens, a realidade é assustadora - e preocupante, podendo ser vista facilmente, como flagrou o JORNAL DA PARAÍBA, em festas no interior do Estado ou aproveitam eventos culturais, na capital, para fezer uso do álcool.
Quem vive esse drama é a família da dona de casa Fátima dos Santos. O filho dela começou a beber aos 13 anos. Hoje, aos 17, ainda tem problemas com o álcool, mas em menor proporção.
Fátima só descobriu que o filho andava bebendo quando foi chamada pela diretora da escola. "Fiquei perplexa quando recebi a notícia que ele (o filho) perdia aula para beber na rua", revelou.
Depois desse dia, Fátima o chamou e teve uma conversa séria e demorada sobre seu comportamento. "Choramos bastante e eu até pensei que ele estava decidido a parar, mas isso não aconteceu", frisou. Os dois anos seguintes foram de preocupação e confusão dentro de casa. "Meu filho passou a não me obedecer mais e ficou cada dia mais rebelde, era briga todo dia. A situação só melhorou porque ele reconheceu que precisava de ajuda", declarou.
O adolescente ainda não largou a bebida, mas o consumo já não é mais o mesmo. "Ele faz atendimento com psicólogo e também vai à igreja, tenho muita fé que tudo isso vai passar, porque é muito difícil para uma mãe ver o filho entregue ao álcool, ver a família se desestruturando", comentou. São histórias como essas que chegam todos os dias nos Centros de Atenção Psicossocial (Caps).
A diretora do Caps AD, em Jaguaribe, na capital, Marileide Martins, disse que o problema do álcool não pode ser deixado de lado, nem menosprezado. Ela criticou a permissão de alguns pais em festinhas familiares. "Ao oferecer ou permitir que o filho tome uma latinha de cerveja, o pai está assumindo o risco", afirmou. "Depois que o adolescente se entrega ao álcool, fica bem mais fácil e tentador experimentar drogas ilícitas como o crack", alertou.
Para ela, tratar de adolescentes e jovens com problemas de alcoolismo é bem mais difícil que adultos. "É um público que está em fase de descoberta, ainda não perdeu a mulher nem o emprego, por isso é mais difícil", explicou Marileide.
Jornal da Paraiba