Asma fatal e quase fatal podem ser evitadas com o uso de corticoides inalatórios

Pacientes com asma geralmente têm sintomas leves e intermitentes, mas 20% podem apresentar a forma grave da doença. Foi esse grupo de pessoas que Eduardo Vieira Ponte, médico do Programa para Controle da Asma na Bahia (ProAR), em parceria com pesquisadores da Universidade Federal da Bahia, investigou no estudo “Características clínicas e prognóstico em pacientes com asma quase fatal em Salvador, Bahia”, publicado em agosto desse ano no Jornal Brasileiro de Pneumologia. 

Dos 731 pacientes estudados (todos com diagnóstico de asma grave não controlada), 563 (77%) eram do sexo feminino, com idade média de 47 anos, e 12% não eram alfabetizados. A maioria dos pacientes apresentava rinite e 70 (10%) relataram asma quase fatal – um percentual considerado alto pelos autores do estudo.

Segundo eles, uma crise de asma é considerada quase fatal quando há exacerbação da asma com insuficiência respiratória grave, caracterizada por elevação da PaCO2 (pressão parcial de CO2) no sangue ou pela ocorrência de parada respiratória. Esses pacientes devem ser tratados com suporte avançado de vida em UTI. “Felizmente, o tratamento com corticoides inalatórios e beta2-agonistas de longa duração proporciona o controle dos sintomas e melhora a qualidade de vida desses pacientes”, dizem.

Contudo, eles explicam que embora a asma fatal e a asma quase fatal sejam eventos que podem ser prevenidos, frequentemente esses pacientes não recebem o melhor tratamento disponível. “Estudos demonstraram que 10-60% dos pacientes com exacerbação de asma quase fatal não estavam em uso regular de corticoides inalatórios no momento da crise. Após a crise, 35% dos pacientes continuaram sem a utilização de corticoides inalatórios e sem acompanhamento com um especialista. Provavelmente, a percepção reduzida da gravidade dos sintomas e das alterações funcionais contribui para a baixa adesão ao tratamento em pacientes com asma quase fatal”, afirmam os autores no artigo.

Além disso, eles contam que, no Brasil, o papel do Estado na facilitação do acesso a corticoides inalatórios é fundamental, pois a população de baixa renda não tem condições de arcar com os custos desses medicamentos. “Um estudo do nosso grupo já demonstrou que a distribuição gratuita de corticoides inalatórios e beta2-agonistas de longa duração para pacientes com asma grave é custo-efetiva, ou seja, o Estado economiza recursos com internações e melhora a qualidade de vida da população”, concluem.

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Agência Notisa