Vídeo: tráfico internacional de drogas tinha a Paraíba e mais seis Estados do Brasil como destino


Imagens exclusivas feitas pela Polícia Federal durante a Operação Catimbó desvendou a ação de traficantes de drogas internacionais que tinham a Paraíba como destino. O Estado paraibano é citado na reportagem do Domingo Espetacular como um dos receptores das grandes cargas de cocaína que eram transportadas em fundos falsos de caminhões.

Além dos vídeos, a polícia conseguiu centenas de fotografias e gravações de conversas telefônicas dos traficantes. Eles eram monitorados por todos os ângulos.

Além da Paraíba, as cargas de cocaína também eram enviadas para mais seis Estados: Rondônia, Pernambuco, Mato Grosso, São Paulo, Paraná e Santa Catarina.
No orelhão, na porta de casa, saindo do despachante, fazendo compras no supermercado e até na escolinha de futebol. Chefes e empregados da quadrilha se empenhavam em comprar, transportar e distribuir cocaína pura. E nem imaginavam que estavam sendo seguidos e filmados pela Polícia Federal durante a Operação Catimbó.

Um cartão de visitas foi o ponto de partida para a Operação Catimbó. Ele foi encontrado no carro de Éder Conde, um traficante preso em Curitiba em maio do ano passado. O cartão é de Robson Pires Ribeiro.

O cartão de visita chamou a atenção por dois motivos: Ribeiro se apresenta como dono de uma madeireira em Rondônia – a atividade é muito usada por traficantes para despistar a policia. E por estar no carro de Conde, considerado o "Fernandinho Beira-Mar" de Curitiba.

Conde gostava de ostentar riqueza e também foi alvo constante das câmeras dos agentes federais antes de ser preso. Ele tinha varias empresas de fachada e costumava comprar cocaína pura e pagar adiantado, como mostram comprovantes bancários obtidos na investigação. A quadrilha que ele comandava escondia drogas, dinheiro e armas dentro das paredes de uma das casas usadas pelo bando.

Na semana passada, Conde foi condenado a vinte e dois anos e três meses de prisão. Ele cumpre pena na Penitenciária de Segurança Máxima de Catanduvas, no interior do Paraná. Na época em que foi preso, ele namorava Suzimari Martins, segunda colocada no concurso Miss Curitiba – ela também foi presa e condenada a três anos e seis meses de cadeia. Passo a passo do crime

As investigações confirmaram que Conde era cliente de Lourival Pires Ribeiro, um traficante ainda mais poderoso, pai de Robson, principal alvo da Operação Catimbó. Lourival era dono de um patrimônio que surpreendeu a policia, já que, segundo as investigações, ficou comprovado que ele não tinha qualquer atividade de trabalho lícito.

A cocaína comprada por Lourival na Bolívia chegava ao Brasil de avião. As aeronaves pousavam em pistas clandestinas em duas fazendas de Lourival situadas nos municípios de Várzea Grande e Porto dos Gaúchos, no interior do Mato Grosso.

Das fazendas, a carga era transportada em fundos falsos de caminhões e distribuída para sete Estados: Rondônia, Pernambuco, Paraíba, Mato Grosso, São Paulo, Paraná e Santa Catarina. 

As imagens mostram homens da quadrilha em uma das oficinas usadas para construir os fundos falsos dos caminhões, em Curitiba.

Em fevereiro deste ano, os agentes conseguiram interceptar a carga quando um caminhão deixava a fazenda de Lourival em Várzea Grande. Foram aprendidos quase 900 kg de cocaína pura, o que poderia render R$ 5 milhões aos traficantes. O motorista do caminhão, Orivaldo Schroeder, conhecido como NG, foi preso.

Quatro meses depois, outro caminhão e mais uma carga foram apreendidos. O veiculo foi carregado em Porto dos Gaúchos e interceptado em Uberlândia, Minas Gerais, com 150 kg de cocaína. O motorista foi preso. Prisão do traficante

No último dia 26, a Polícia Federal invadiu a fazenda de Lourival em Porto dos Gaúchos e encontrou mais de 160 kg de cocaína enterrados em tambores. João Batista Barbosa, o caseiro que trabalhava para Lourival, foi preso. A partir daí, a prisão dos chefões da quadrilha era questão de horas. Para prender Lourival, a polícia montou uma barreira em uma estrada há 40 km de Curitiba. Ele vinha de carro de São Paulo, passou pelo local, foi reconhecido e preso.

O nome da Operação Catimbó, que significa feitiço, não foi por acaso. A Polícia Federal diz que Lourival era muito supersticioso. Durante a investigação, os agentes gravaram um vídeo que mostra o traficante lançando uma suposta água benta sobre um carro novo que ele tinha comprado, para proteger o patrimônio.  

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PBAgora