Apenas sete municípios (3%) paraibanos, do total de 223, possuem estrutura territorial constituída por bairros, criados por lei. Foi o que mostrou o Censo 2010 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), no estudo da Malha Municipal e de Setores Censitário, divulgado ma sexta-feira (1).
Conforme a pesquisa, Mangabeira, em João Pessoa, com 75,9 mil habitantes é o bairro mais populoso de toda a Paraíba, enquanto a Penha, com 772, é o menos habitado da capital paraibana. Mangabeira também detém o maior número de mulheres em números absolutos. Já Gramame é o bairro pessoense que mais cresceu em população desde o último Censo, em 2000. À época, o local contava com 6,2 mil moradores, número que chegou a mais de 24,9 mil no ano passado – um aumento de 300%.
As sete cidades com legalização do espaço urbano são João Pessoa (64 bairros), Campina Grande (51), Bayeux (15), Patos (24), Ingá (8), Santa Luzia (7) e Pombal (6). O coordenador do Censo 2010 na Paraíba, José Pereira de Araújo, explicou que a divisão dos bairros é “um referencial importante para o município ter informações de cada localidade e assim setorizar os investimentos públicos, conhecer de forma mais detalhada as populações, descobrir onde há maior carência. Tendo essas prerrogativas, o gestor consegue afinar a compreensão local”.
Segundo José Pereira, a criação dos bairros é de responsabilidade das gestões municipais, que devem, através da Câmara de Vereadores, elaborar e aprovar projeto e remetê-lo ao Executivo. O secretário-executivo da Federação das Associações de Municípios da Paraíba (Famup), Anderson Urtiga, afirmou que há quatro anos os gestores vêm sendo orientados a fazer o Plano Diretor do Município, que inclusive é lei.
“O projeto faz um perfil da cidade, definindo as áreas de habitação e as de indústria. Em cima disso, são criados os bairros conforme os nomes que já estão no costume popular”, explicou Urtiga, ressaltando que o empecilho é a falta de recursos por parte de prefeituras para elaborar os programas. “Para se ter uma ideia, um projeto de saneamento ou esgotamento sanitário demanda um valor médio de R$ 100 mil. O governo baixou a lei do Plano Diretor, mas os municípios não têm como executar”, frisou, afirmando que a Famup tem feito vários contatos com órgãos federais, em Brasília, para ‘barganhar’ recursos para as cidades paraibanas.
Maioria feminina
Um total de 75,9 mil pessoas, sendo 40.144 mulheres e 35.844 homens. Mangabeira é o bairro com maior presença feminina, sendo em valores proporcionais 89.3 homens para cada 100 mulheres. O ‘excedente’ de pouco mais de dez moradoras pode ser facilmente visto nas ruas, conforme a atendente comercial Camila Lima, 21 anos. “A gente vê mais mulheres nos ônibus, famárcia, fila de supermercado, em todos os lugares”, comentou.
A universitária Maria Aparecida, 48, ressaltou o crescimento econômico-financeiro do bairro, atrelado ao aumento demográfico. “É bom porque a gente não precisa se locomover para outros lugares, pois o comércio é desenvolvido aqui. O poder aquisitivo dos moradores também cresceu”, disse.
Quanto à população idosa, o Centro tem o maior índice de envelhecimento da capital: em cada grupo de 100 jovens, há 15,5 idosos. O menor percentual é encontrado no Costa do Sol, com índice de 3%.
Malvinas é o mais populoso de Campina
Os dados do Censo 2010 revelaram que o bairro das Malvinas é o mais populoso de Campina Grande com 38.713 moradores, concentrando 10% do total da população do município que possui 385.213 habitantes. A pesquisa detalhada, divulgada, ontem, pelo IBGE, apresentou dados dos 51 bairros da cidade. A menor concentração populacional foi registrada no Louzeiro, que possui apenas 1.315 moradores.
A população das Malvinas é quase duas vezes maior do que o bairro Catolé, que possui 19.554 habitantes e ficou na segunda colocação no ranking populacional de Campina Grande. O mais populoso bairro de Campina supera o número de habitantes de municípios importantes do Estado, como Monteiro, Esperança e Pombal, que possuem entre 30 mil a 32 mil habitantes. Com 28 anos de história, o bairro das Malvinas agrega, atualmente, o conjunto Álvaro Gaudêncio, além de outros sete conjuntos habitacionais.
Os problemas enfrentados pela população também são grandes, assim como o bairro. “Infelizmente, não temos muito o que comemorar, e sim reclamar. O bairro das Malvinas precisa de mais atenção porque está abandonado pelo poder público. O bairro era pra estar desenvolvido como Mangabeira, que surgiu na mesma época, mas para nós, ainda faltam serviços e infraestrutura”, avalia Jair Miranda, presidente da associação de moradores.
Na ponta da lista com as localidades mais populosas da cidade também estão bairros tradicionais como José Pinheiro (16.112), Liberdade (15.836), Cruzeiro (14.021) e Bodocongó (13.788). Entre as localidades que ultrapassaram a marca dos dez mil habitantes estão ainda Três Irmãs (12.209) e Santa Rosa (10.735). Entre os locais com menor número de habitantes estão, além do Louzeiro, bairros considerados de classe média alta, como o das Nações (1.406) e Mirante (1.792). A comunidade de Novo Bodocongó também está na lista das menos populosas, com apenas 1.533 moradores.
IDADE E SEXO
As estatísticas do IBGE também apresentam a proporção de habitantes por idade e sexo. O bairro da Prata, em Campina Grande, é o que possui a maior concentração de mulheres em toda a Paraíba. Elas representam 58,86% da população na Prata. Os bairros de Brasília, em Patos e Anatólia, em João Pessoa vêm em seguida, com 57% de mulheres cada.
O bairro com maior concentração masculina, em Campina Grande, é o Serrotão, com 54,85% da população composta por homens. Em todo o Estado, esse índice só é recuperado em Patos, onde o Distrito Industrial apresentou a surpreendente proporção de 95,59% de homens. A comunidade Ana Leite aparece em segundo na lista, com 56,25% de proporção masculina.
Quanto à idade, o bairro da Prata é o que registrou o maior índice de envelhecimento em Campina Grande com 25,6%, perdendo apenas para o Centro de Santa Luzia, com 25,9%. Já a maior concentração de jovens está no bairro do Araxá, em Campina Grande, onde a proporção é de 57,1%, enquanto a menor proporção de pessoas com idade até 25 anos no Estado está no Distrito Industrial, em Patos, com 5,0%.