Bem aceito socialmente e com presença frequente nas rodas de amigos, o álcool é apontado por especialistas como a droga mais perigosa para a sociedade.
Na Grande João Pessoa, o Centro Integrado de Operações Policiais (Ciop), registrou 5,8 mil ocorrências de brigas envolvendo pessoas embriagadas. “Pelo menos 80% dos casos de violência contra mulheres são causadas por homens alcoolizados”, é o que diz a delegada de Crimes contra a Mulher de João Pessoa, Ivanisa Olímpio. De acordo com Batalhão da Polícia de Trânsito, a maioria dos acidentes é causada por pessoas sob efeito de álcool.
Por ser considerada uma substância lícita, o álcool está bastante acessível aqueles que o desejam consumir, seja nos bares ou nos supermercados. “Se livrar do vício do álcool é muito mais difícil do que sair da maconha”, disse o taxista Josean Leite de Oliveira, que passou 15 anos na dependência da droga.
Substância que causa prazer e é protagonista nas comemorações, o álcool também provoca danos muitas vezes irreparáveis às vidas daqueles que se viciam e de suas famílias, que precisam enfrentar junto com eles todos os problemas decorrentes do vício. O administrador Renato Arcúrio perdeu o pai para a dependência na substância. “Há muitos anos já sentia que o álcool estava tirando ele de mim, tentava todos os dias falar para ele parar de beber e mostrava o meu apoio, mas o vício foi mais forte do que ele”, lembrou.
“Minha vida se tornou uma escuridão e cada dia é uma luta para não voltar a beber”. O auxiliar de serviço Jailson Costa é dependente alcoólico e faz tratamento há cinco anos, mas assume que já teve várias recaídas neste período de tempo.
A cada dia, uma pessoa se interna por doença alcoólica do fígado na Paraíba. Segundo dados do Datasus, do Ministério da Saúde entre 2006 e 2010, 1.949 pessoas foram internadas no Estado por causa da doença e, destas, 319 não resistiram ao tratamento e morreram. Em cinco anos, foram gastos mais de R$ 1,5 milhão com assistência hospitalar de paraibanos que abusaram do álcool.