'Arapongagem' na Assembleia da Paraíba

O presidente da Assembleia Legislativa, deputado estadual Ricardo Marcelo (PSDB), vai pedir ao Ministério Público Estadual que apure os responsáveis por um grampo eletrônico encontrado em seu gabinete. No último dia 9 de maio, peritos da Polícia Federal estiveram no gabinete da presidência, a pedido do próprio Ricardo Marcelo, e constataram que havia um microfone de dimensões reduzidas sob a mesa utilizada pelo deputado.

Ricardo Marcelo afirmou em nota que cumpriu o seu dever como presidente de um Poder, pedindo a investigação imediata da denúncia. Assim, após o laudo pericial, ouvirá o Ministério Público e só então solicitará a abertura do inquérito policial. "Diante da minha responsabilidade como presidente do Poder Legislativo, jamais me permitiria levantar qualquer suspeita ou a mínima insinuação de quem estaria por trás disso ou mesmo quem teria interesse de escutar ilegalmente o que se passava no meu gabinete. Mas é preciso que esse fato, que considero de extrema gravidade, seja completamente apurado", disse. 

O presidente da Assembleia Legislativa frisou que o princípio da privacidade é assegurado constitucionalmente e não pode ser desrespeitado. "Queremos apenas a investigação completa dos fatos. Temos que ter muita prudência e cautela nesse momento, para que não haja qualquer tipo de insinuação, seja ela no campo político ou pessoal. Somente com a conclusão do inquérito que estamos solicitando, após ouvido o Ministério Público, é que vamos saber realmente o que se passava", afirmou. O ofício à Polícia Federal foi encaminhado pelo advogado Abelardo Jurema Neto. 

Segundo ele, "de acordo com o laudo que foi apresentado, ficou comprovado que havia a intenção deliberada de escutar e amplificar, de forma ilegal, as conversas que eram mantidas no gabinete da Presidência do Poder Legislativo paraibano. É um fato muito grave e que merece ser apurado em toda sua extensão", declarou. 

O equipamento, medindo cerca de 23 por 07 milímetros, estava encapsulado em material plástico termocontrátil de corpreta, ligado a três fios de cores preto, branco e vermelho. 

Esse equipamento de espionagem se encontrava conectado, ainda segundo o laudo da PF, nos fios de telefone, ocultado no interior de uma das caixas de telefonia. O equipamento foi recolhido pela PF.

Muitos deputados se esquivaram de comentar sobre o assunto. Para o deputado Luciano Cartaxo (PT) a prioridade agora é investigar para descobrir os culpados. "O processo deve ser investigado de forma profunda, porque é uma coisa que não pode acontecer, mas vem acontecendo, inclusive em outros estados, como no Paraná", comentou. 

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