Quando a Câmara Federal votou pela mudança no processo eleitoral, tornando possível a reeleição para os componentes do poder executivo, foi iniciado um processo de reforma que se mostrava necessário na política brasileira. Era 1997 e o fato acabou se tornando polêmico por beneficiar diretamente o então presidente, Fernando Henrique Cardoso. Aproximadamente 15 anos depois, o debate foi retomado com a conclusão do relatório que define os pontos a serem reconsiderados na política do país. Um deles dá continuidade às discussões iniciadas no primeiro mandato de FHC e tem sido analisado por parlamentares e especialistas: o fim da reeleição e a extensão do mandato executivo para o prazo de cinco anos.
O senador Cícero Lucena (PSDB) foi um dos que se colocou a favor da mudança. De acordo com ele, a possibilidade de reeleição precisa acabar para que as disputas voltem a ser justas. "Já concorri a cargos no executivo e acho que concorrer contra quem pode usar a máquina ao seu favor torna a eleição desigual", afirmou. Assim como no projeto de Lei, o parlamentar defende que o direito de ser reconduzido a função só seja preservado para quem já a exerce atualmente. Cícero contou, ainda, que pôde perceber nos senadores uma grande possibilidade de que a questão seja aprovada.
Quem também votará pelo fim desse método é o deputado federal Efraim Filho (DEM), que definiu o ponto como um dos principais de toda a reforma. "A reeleição aumenta a chance de casos de abuso de poder econômico nas campanhas", defendeu. Para ele, a extensão do mandato juntamente com a criação de eleições gerais, que englobem do vereador ao presidente da república em uma única votação, seria uma forma de não prejudicar as administrações correntes.
O cientista político Rodrigo Freire de Carvalho acredita que o retorno ao mandato sem reeleição não irá contribuir para o processo eleitoral, já que se mostrou uma experiência de resultados positivos. "A população precisa ter o direito de reconduzir aos cargos os governantes que fizeram um bom trabalho", explicou. Para ele, o argumento de que o mandato caracteriza uma vantagem sobre os demais candidatos não é válido. "São vários os exemplos de prefeitos e governadores que, mesmo estando no poder, não conseguiram se manter em suas funções", concluiu. Para o acadêmico, outros pontos que devem ser defendidos na reforma é o fortalecimento dos partidos e da participação popular.