Dormir com a televisão ligada pode causar depressão

Zapeando a rede topei com o resultado deste estudo realizado há alguns meses. É um estudo feito com hamsters e apesar de não sermos roedores, também somos mamíferos, e os estudos com eles são um bom começo para apontar dicas sobre como nosso cérebro funciona. O estudo indica que dormir com a televisão ligada poderia causar depressão. Não me estranha que possa causar depressão passar a noite toda vendo gente dando falsos testemunhos sobre esta ou aquela religião.
 
Mas não é exatamente essa a razão de que a televisão produza depressão. De fato resulta irrelevante qual a programação da madrugada: o importante é que a tela da televisão emita luz. Muito pouca, mas suficiente para alternar nossos ritmos circadianos.
Reconheço que o estudo, ainda que não tenha sido realizado com humanos, me joga um jarro de água fria. Porque estou no estágio no qual não consigo dormir sem antes executar meticulosamente uma série de rituais. E um desses rituais consiste em por um filme a cada noite para pegar no sono. Ah, e o filme tem que ter ruim -o da vez é Tropa de Elite 2- para que me chateie logo, vire de lado e passe a babar no travesseiro.
Mas o estudo da Universidade Estatal de Ohio, liderado por Rand Nelson e apresentado no último encontro anual da Sociedade Americana de Neurociência em San Diego, sugere que um bom nível de luz necessário para o cérebro dos mamíferos descansar é surpreendentemente baixo. Os pesquisadores associam os efeitos da exposição à luz a um hormônio chamado melatonina, que é produzido quando o corpo detecta a escuridão. Se há muita luz ambiental, o corpo poderia produzir quantidades de melatonina inapropriadas.
Para realizar o estudo, Nelson e seus colegas usaram 16 hamsters. Metade dormiu no escuro e a outra metade ficou exposta a cada noite a um nível de luz equivalente ao que produz o brilho de um televisor ligado em uma sala escura (5 luxes). Ao examinar posteriormente os cérebros dos hamsters, concretamente o hipocampo, aqueles que dormiram com luz tinham uma menor densidade de lanosidades (dentritos) nos neurônios dos que dormiram sem luz, o que implica que a comunicação entre suas células nervosas teria reduzido.
Discovery News