A renúncia de Léo Abreu (PSB) ao cargo de prefeito de Cajazeiras repercutiu durante todo o dia de ontem, tanto no Sertão paraibano como nas demais regiões do estado. O pai do ex-prefeito, o deputado estadual Vituriano de Abreu (PSC), ajudou a polemizar o assunto ao revelar que a renúncia de Léo se deu em virtude do cumprimento de um acordo firmado entre ele e o atual prefeito, Carlos Rafael (PTB).
De acordo com Vituriano, ainda na campanha eleitoral de 2008 os dois (Léo e Carlos) pactuaram que, uma vez eleitos, o socialista governaria a cidade sertaneja nos dois primeiros anos e o petebista nos outros dois anos restantes do mandato. "Os dois se juntaram para trabalhar pela cidade e depois dividir o mandato meio-a-meio. Difícil é você ver alguém cumprir um acordo desses, mas ele se manteve no equilíbrio porque sabe que o estilo de Léo não é de ganância. O que ele gosta é de ser médico", disse o deputado.
A equipe de reportagem do Diário da Borborema tentou contatar o ex e o atual prefeito, para que eles comentassem a declaração de Vituriano, mas ambos não atenderam as várias ligações feitas. Entre os cajazeirenses, a revelação não foi muito bem assimilada pela maior parte da população que acredita que a justificativa mais aceitável é de que a renúncia tem a ver com a abertura espaço para que Vituriano venha a disputar as eleições municipais, uma vez que, se mantendo no cargo, Léo seria um obstáculo nos projetos do pai, porque poderia tentar a reeleição.
Em tom de porta-voz do ex-prefeito, Vituriano comentou que a manutenção dos nomes de auxiliares de governo ficará a critério do novo prefeito. "Vai ficar a critério do atual prefeito manter ou não os secretários. Mas eles já garantiram que vão apoiar do mesmo jeito. Acredito muito no atual prefeito. É um jovem talentoso", ressaltou.
O gesto de Leó foi criticado por alguns políticos. O deputado José Aldemir, adversário político da família Abreu no município de Cajazeiras, se demonstrou insatisfeito com a decisão inesperada do ex-prefeito. Ele foi incisivo na sua fala sobre o assunto. "A palavra renúncia é muito forte. Ela traduz covardia e traição. Covardia, porque ele não teve coragem de enfrentar os problemas da gestão. E traição, porque enganou mais da metade da população que acreditou nas palavras dele, o elegendo comandante da cidade", disse.
Aldemir também lamentou o fato. "É lógico que lamentei profundamente. A gente não pode se sentir feliz vendo um gestor de sua terra natal renunciar de forma intempestiva, sem nenhuma justificativa plausível", desabafou. Para o parlamentar, Léo Abreu não foi corajoso o suficiente para enfrentar as dificuldades. "Quem não tem dificuldades nessa vida? Não podemos nos abater diante delas. É preciso enfrentá-las".
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