Paraíba é terceiro em número de fumantes no país

Segundo a Pesquisa Nacional por Amostras de Domicílios (Pnad), na Paraíba em 2008, 26,1% da população masculina 14,9% da feminina afirmaram ser fumantes correntes. O pneumologista Sebastião de Oliveira Costa afirmou que a Paraíba é o 3º Estado com maior número de fumantes do país, com 19,2% de fumantes em cada 100 pessoas, ficando acima da média nacional, de 17,2%. De acordo com ele, na Paraíba existem 700 mil fumantes, sendo 280 mil mulheres. Mesmo as pessoas que não fumam estão sujeitas aos malefícios do cigarro: segundo Sebastião, para cada fumante há 2,5 passivos, o que totaliza mais de 1,7 milhões de pessoas. Com objetivo de mudar essa realidade, a Secretaria de Estado da Saúde (SES) promove hoje, no Dia Estadual de Combate ao Tabagismo, uma mobilização no Ponto de Cem Réis, com distribuição de material educativo e realização de testes e exames médicos.

O tabagismo acarreta diretamente 56 doenças diferentes, sendo o câncer de pulmão, enfisema pulmonar e infarto do miocárdio os três mais freqüentes e os que mais matam em todo o mundo, disse Sebastião. Ano passado, segundo a SES, 259 paraibanos morreram em decorrência do câncer de pulmão e, esse ano, foram registrados 11 mortes decorrentes da doença. Além das doenças no sistema respiratório, o tabagismo também causa envelhecimento precoce da pele e problemas na saúde bucal do fumante.

A preocupação de Sebastião Costa, que também é presidente do Comitê de Tabagismo da Associação Médica da Paraíba, é o aumento de mulheres fumantes: “as adolescentes do sexo feminino fumam mais que os de sexo masculino. Nas baladas é mais fácil de encontrar meninas fumando”, descreveu. Para ele, esse aumento está relacionado com a simbologia do cigarro na sociedade, que está erroneamente ligado à liberdade, à ousadia e a contestação da sociedade. Sebastião ainda disse que as mulheres têm mais dificuldade de largar o vício em cigarros e os principais motivos são o medo de ganhar peso e as oscilações hormonais, causando maior vontade de fumar. Ele contabilizou que, de cada três homens que param de fumar, apenas duas mulheres conseguem encerrar o vício.

Apesar do aumento de mulheres fumantes, o número geral está diminuindo, contou Sebastião. “Em 2000, existiam 36 milhões de fumantes em todo o país. Esse ano o total é 24.600 milhões. As estatísticas estão diminuindo por causa da maior conscientização da população acerca das doenças ocasionadas pelo fumo e por causa das leis, como as dos ambientes livres do cigarro”, relatou.

Risco de câncer sobe 30%
Segundo o Instituto Nacional de Câncer (Inca), o tabagismo passivo é a 3ª maior causa de morte evitável no mundo, ficando abaixo apenas do tabagismo ativo e do consumo excessivo de álcool. A fumaça do cigarro – que reúne cerca de 4,7 mil substâncias tóxicas diferentes – contém três vezes mais nicotina, três vezes mais monóxido de carbono e até cinqüenta vezes mais substâncias cancerígenas do que a fumaça que entra na boca do fumante depois de passar pelo filtro do cigarro.

De acordo com o Inca, o fumante passivo tem 30% mais risco de desenvolver câncer de pulmão que uma pessoa que não tem contato com fumantes. Já o risco de sofrer infarto é de 24% maior. De acordo com médico pneumologista Sebastião de Oliveira Costa, os bebês menores de um ano são as que mais sofrem com os malefícios do cigarro. “As crianças em contato com a fumaça do cigarro são mais suscetíveis à rinite, sinusite, asma, pneumonia e bronquite. Além do mais, as crianças que crescem com pais fumantes têm três vezes mais chances de se tornarem fumantes do que crianças de pais não-fumantes”, afirmou

Correio da Paraíba