"Extermínio" faz ameaças ao governo

O deputado federal Luiz Couto (PT) afirma que recebeu, ontem, ameaças de participantes de grupo de extermínio. O deputado declarou que as ameaças foram recebidas através de um telefonema anônimo em que o grupo avisou estar se articulando para desestabilizar o governo de Ricardo Coutinho. Em cinco dias do novo governo a polícia já registrou 13 homicídios na Grande João Pessoa, que, segundo Luiz Couto, o responsável pelo telefonema disse que se tratava de ações para mostrar ao governo a força dos grupos de extermínio. As ameaças seriam também uma forma de pressão pelo pagamento do reajuste dos policiais, apelidado de "PEC-300".

Para Luiz Couto, o objetivo da série de crimes é colocar o atual governo em uma situação difícil. "Falaram claramente que as execuções realizadas por pessoas em motos prestas estão ligadas aos grupos de extermínio. Eles querem mostrar que têm força e que vencê-los não será uma tarefa fácil", revela. O deputado federal afirmou que irá levar a Ricardo Coutinho as ameaças que recebeu para que o Serviço de Inteligência da polícia seja acionado. "Eu não tenho poder de investigação, mas foi levar às autoridades competentes para que as pessoas responsáveis sejam investigadas e punidas", declarou.

A presença de policiais nos grupos de extermínio é dada como certa pelo deputado federal, que acreditar que os policiais exerçam funções de liderança dentro dos grupos. "Estes policiais precisam ser punidos com urgência. Estão sendo pagos pelos nossos impostos e deveriam servir à causa democrática, mas estão sendo desvirtuados e servindo à criminalidade", destaca. Luiz Couto ainda afirmou que alguns nomes de policiais foram citados no telefonema, mas ele prefere não divulgar antes de levar ao conhecimento do governador Ricardo Coutinho.

Um dos mais recentes homicídios ligado ao grupo de extermínio citado por Luiz Couto foi o assassinato, nesta semana, de uma morador de rua ao lado do restaurante Cassino da Lagoa, no Parque Solon de Lucena, em João Pessoa. Na ocasião, dois homens se aproximaram do morador de rua e efetuaram vários disparos, saindo do local a pé. No entanto, ninguém que circulava pelo no momento do crime soube prestar maiores esclarecimentos Pa polícia. Luiz Couto presidiu a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Grupo de Extermínio do Congresso Nacional, sendo um dos principais militantes da causa em todo o Brasil.

O Secretário de Segundança e Defesa Social, Claúdio Coelho Lima, afirmou que ainda não recebeu nenhum comunicado oficial sobre as ameaças, mas, garantiu que, caso o Luiz Couto formalize as denúncias o caso será investigado. "Meu dever é de investigar e claro que se essas denúncias chegarem até nós será investigada. Por enquanto tudo o que sei é que foram denúncias anônimas e não temos o que fazer no momento", afirmou. Com relação aos grupos de extermínio, o secretário garantiu que os trabalhos de investigação iniciados no ano passado terão continuidade na atual gestão. 

JornalOnorte