Governo consegue recursos para duplicar e pavimentar estradas na Paraíba

Em 2008, o processo de cassação do então governador da Paraíba, Cássio Cunha Lima, colocou o Estado em um período letárgico que paralisou investimentos e reduziu o ritmo da economia local, na avaliação de Francisco Sarmento, secretário de Recursos Hídricos, Meio Ambiente, Ciência e Tecnologia do governo da Paraíba. "Criou-se uma insegurança política na época", afirma. 

Para recuperar a credibilidade e os investimentos, o novo governo, que assumiu em fevereiro de 2009, focou as obras de infraestrutura, priorizando a pavimentação da malha viária. Dos 232 municípios do Estado, mais da metade, segundo Sarmento, não tem acesso rodoviário adequado.

Após recuperar os contratos de empréstimo firmados no governo anterior junto à Corporación Andina de Fomento, empresa com sede na Venezuela, o governo conseguiu um contrato de R$ 100 milhões para a recuperação e pavimentação de 1.018 quilômetros de estradas no Estado. A primeira parcela dos recursos chega em 2011. 

Os projetos contemplam ainda a duplicação da BR 101, orçada em R$ 600 milhões, que ligará João Pessoa a Recife e Natal. "João Pessoa se credencia com essa obra a ser uma das cidades escolhidas por turistas que virão para a Copa, por estar perto de duas das sedes dos jogos", diz Sarmento. 

Segundo o secretário, estão na Paraíba as duas maiores obras do PAC 2 (Programa de Aceleração do Crescimento): a adutora Translitorânea, empreendimento de saneamento que garantirá água a 1,5 milhão de pessoas na região metropolitana de João Pessoa, e o sistema adutor São José, que serve Campina Grande, a segunda maior do Estado. Com investimentos de R$ 25 milhões dentro dos recursos do PAC 2, a obra beneficiará meio milhão de pessoas. 

"A Paraíba sempre cresceu a taxas superiores às do Nordeste e do país, mas foi ultrapassada por Estados como o Rio Grande do Norte e precisa recuperar seu ritmo ", diz o economista Constantino Cronemberg, do Ipea da Paraíba. 

O setor que mais cresce é o da construção civil, que saltou de 5,9% em 2008 para 7,7% em 2009. No último dia 29, o governo assinou um protocolo de intenções que dará incentivos financeiros e fiscais ao Grupo Brennad Cimentos. A Brennand investirá R$ 400 milhões para erguer uma fábrica no município de Alhandra, no litoral sul do Estado, cujas obras devem começar em 2011. Os benefícios incluem empréstimos com encargos subsidiados por meio do Fundo de Apoio ao Desenvolvimento Industrial da Paraíba (Fain) e incentivos fiscais, como redução no Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS). 

Mais R$ 300 milhões serão despejados pela Enerbrax, que instalará no município de Coremas, no semiárido, uma usina para a geração de 50 MW de energia solar. Os primeiros contratos para a venda de energia deverão ser fechados até o fim do mês, informa Elcio Camarinha, diretor-executivo da Enerbrax. "A usina poderá atrair empresas do setor de cosméticos, já que nosso projeto contempla a produção de mudas de plantas usadas como matéria-prima nessa indústria."

Valor Econômico