A vingança dos cassistas, a vitalidade de Maranhão e a diferença entre Ricardo escolher retrovisor ou binóculo


A democracia é um remédio doce para quem vence e amargo para quem perde. Mais do que o sabor da fórmula, devemos procurar ler a bula e aguardar a eficácia da dose. E, principalmente, se provoca efeitos colaterais. 
A matemática é simples: mais de 1 milhão quiseram Ricardo, quase 1 milhão preferiam Maranhão. Venceu a maioria. Cerca de 150 mil pessoas fizeram a diferença e a partir de agora terão o ônus e o bônus desta decisão.
 
Para mim, o que ficou claro foi que o eleitorado de Cássio encontrou em Ricardo o instrumento de vingança àquela cassação do TRE, que fez o segundo lugar assumir o posto de governador.
 
Some-se a isso o fato de Ricardo ter sido um bom gestor na Capital e de José Maranhão não ser uma novidade no pleito.
 
Se de um lado o fato de ser mais conhecido facilitava, do outro o fato de ser mais conhecido atrapalhava.
 
Mesmo assim, Maranhão teve a vitória nas mãos e deixou escapar no primeiro turno. Fez a maior bancada estadual e federal, elegeu os dois senadores, mas não se reelegeu.
 
Aos 77 anos sinceramente não acredito que o próprio Maranhão queira enfrentar outra maratona como a que acabou de enfrentar. Um homem de idade avançada como o é encarar um ritmo frenético como o de uma eleição disputadíssima e ainda sair sem nenhuma seqüela já é uma vitória em si.
 
Maranhão foi aos quatro cantos da Paraíba e se mostrou incansável. Era fato comum encontrar auxiliares novos de bico aberto, exaustos, mas Maranhão parecia que tinha uma fonte de energia inesgotável.
 
Acordava muito cedo e comandava reuniões, visitas, arrastões, carreatas e comícios infindáveis todos os dias, desde a primeira semana de julho. Mais do que isso, manteve ritmo frenético desde que assumiu o governo a cerca de dois anos.
 
Quando todos pensavam que iria ser massacrado pela juventude e velocidade de raciocínio de Ricardo Coutinho nos debates, Maranhão encarou o desafio, melhorou confronto a confronto e na opinião da maioria venceu o último debate da TV Cabo Branco.
 
Ricardo venceu a eleição e merece nosso respeito pela determinação, mas Maranhão valorizou essa vitória pela resistência e espírito público.
 
Apuradas as urnas, só resta agora aos perdedores recolher os cacos e sacudir a poeira de cabeça erguida. Afinal, a vida continua e a Paraíba é maior do que uma eleição.
 
Ao vencedor, saúde e boa sorte para lograr êxito na jornada que o espera pela frente. Como cidadão vou cobrar o fim da taxa de esgoto, carteira de motorista de graça e a unidade política que tanto pregou.
 
Resta saber se Ricardo usará retrovisor ou binóculo.

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