Aproximadamente 600 mineradores atuam na extração de forma irregular de caulim em cerca de 50 garimpos que não são registrados junto a União nas cidades de Junco do Seridó, Salgadinho, Tenório e Assunção.
A falta de oportunidades de trabalho aliada as dificuldades da região seca do Seridó e Cariri paraibano tem obrigado homens a enfrentar os riscos provocados pela árdua atividade de extração de caulim, um mineral existente no subsolo rochoso das serras que dominam a paisagem do lugar.
Eles convivem lado a lado com a insegurança e a ameaça de morte, já que para extrair o material, precisam escavar buracos de até 50 metros abaixo do solo, descendo para o subterrâneo, presos apenas em um carretel improvisado, composto por uma base de madeira e uma corda. Essas condições de trabalho já provocaram a morte de mais de 30 homens nos últimos 10 anos.
Os mineradores trabalham mais de 12 horas por dia de forma precária, utilizando ferramentas rústicas como pás, picaretas e para iluminação, utilizam velas. O dinheiro que eles conseguem arrecadar por mês, é inferior a um salário mínimo e deste valor, ainda precisam pagar 10% ao dono da propriedade, além de despesas com energia e transporte.
A extração do caulim é a principal fonte de renda para os moradores dessas cidades. A atividade já existe há mais de 50 anos e ganha mais força nos períodos de estiagem, quando os agricultores se vêem obrigados a se arriscar na extração, por não poder contar com uma alternativa que lhes garanta o sustento da família.
Sem poder contar com direitos trabalhistas como carteira assinada, férias remuneradas, FGTS e outros benefícios por atuarem na clandestinidade, os garimpeiros se unem em grupos de cinco homens, e movidos pela necessidade, eles se comprometem os donos das propriedades onde existe o caulim, a pagar pelo trabalho que realizam. Desprovidos de tecnologia e maquinário, os mineradores improvisam os instrumentos de trabalho, e com muita força e perseverança, em poucos meses, abrem enormes “salões” subterrâneos.
Jornal CORREIO