Força jovem na atual disputa

Vinte por cento dos eleitores paraibanos são considerados jovens (na faixa dos 16 aos 24 anos) e terão um peso importante na hora em que depositarem o voto na urna eletrônica, no próximo dia três de outubro. No entanto, essa parcela de 569.087 pessoas, que estão começando a encarar os primeiros desafios da vida, como o primeiro emprego, e que necessitam de equipamentos de educação, esporte e lazer no cotidiano, nem sempre encontram uma identificação nesse processo político para cobrar e sugerir propostas. Mas, a primeira campanha marcada pela disseminação das redes sociais deve revelar um novo panorama do impacto participativo dos jovens nessas eleições, apontando o interesse desse percentual nas discussões políticas do país e do estado.

Essa é uma das avaliações do cientista político da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), Ítalo Fittipaldi, que por enquanto não arrisca um palpite sobre a influência que as redes sociais terão nessas eleições. "Ainda é cedo para captar o impacto social das redes sociais nas eleições, mas o que se observa de uma forma geral é que os jovens não conseguem fazer a conexão sobre as políticas públicas de seus interesses, ainda nesse modelo de democracia representativa", observa.

O argumento que o professor utiliza para esse distanciamento do eleitor jovem com a política estaria na polarização da discussão partidária e no voto, o que na avaliação dele representa apenas um momento de atuação no sistema democrático: "A essência da cidadania é mais abrangente que a discussão partidária e envolve a redefinição de políticas públicas e a formulação de novas propostas. Os jovens precisam desenvolver a capacidade crítica para pressionar os candidatos para essas políticas públicas", afirmou.

Educação, esporte, primeiro emprego: essas são algumas propostas que os jovens devem atentar e cobrar nos locais onde vivem, a fim de criar perspectivas de qualidade de vida. Mas, no que diz respeito ao público jovem, é reciso atentar para as condições sociaisem que se encontram. "Do ponto de vista etário, trata-se de um público idêntico. Mas do ponto de vista social, os jovens devem ser analisados de forma completamente diferente, entre os que são da classe média e os que estão em condições de vulnerabilidade e que estão mais propensos à criminalidade", explica o professor. 

Jornal Onorte