O Governo da Paraíba vai inaugurar nesta sexta-feira, 6, o novo prédio onde vão funcionar as delegacias especializadas de proteção ao idoso e de crimes homofóbicos. A solenidade ocorrerá às 15h e terá a presença de representantes da Secretaria de Estado de Segurança e Defesa Social, da Polícia Militar e de movimentos de defesa aos direitos homossexuais. As duas delegacias vão funcionar num imóvel, localizado à Rua Francisca Moura, 36, Centro.
De acordo com o titular da Delegacia de Crimes Homofóbicos, Marcelo Falcone, as novas instalações vão oferecer mais privacidade e comodidade para os usuários. “O prédio é mais amplo, mais confortável e conta com computadores, mobília e todos os acessórios que precisamos para prestar um bom trabalho”, observa.
“No entanto, o item mais importante é a privacidade. Com as novas instalações, as vítimas poderão ficar mais à vontade na hora de fazer as denúncias”, completa.
A representante da Associação dos Travestis da Paraíba (Astrapa), Fernanda Benvenutti, observou que a entrega de um prédio novo é uma conquista almejada há muito tempo pelos homossexuais. Ela acrescentou que a Paraíba é o único Estado brasileiro a criar uma delegacia especializada na investigação de crimes cometidos contra esse público. “Em outros Estados, os crimes homofóbicos são apurados por delegacias de crimes contra a pessoa ou de direitos humanos. A Paraíba foi a primeira, a não apenas criar uma delegacia, mas também a formar um delegado especializado para tratar dos delitos dessa natureza. Isso mostra que o Governo do Estado é sensível as nossas causas”, declarou.
Luta de muitos anos - A Delegacia de Crimes Homofóbicos funcionava numa casa localizada à Avenida Dom Pedro I, no Centro. No mesmo local, ainda estavam instaladas as delegacias da Mulher e do Idoso. As três especializadas dividiam o mesmo espaço há cerca de quatro anos. Devido à demanda de pessoas que buscavam auxílio da polícia nesse endereço, os homossexuais reivindicavam que a delegacia de homofobia fosse transferida para outro lugar.
“O problema é que tem muito homossexual que ainda não assumiu sua condição sexual perante a família e a sociedade. Por isso, ficavam constrangidos, quando precisam prestar queixa, porque sabiam que iam encontrar na delegacia outros tipos de públicos, que não era o nosso”, explica Fernanda Benvenutti, que é membro de uma comissão que luta pelos direitos do homossexual.
Reuniões - Uma comissão formada por representantes dos travestis e do governo foi formada para discutir o assunto. Após várias reuniões com a Secretaria de Estado de Segurança e Defesa Social ficou decidido que as delegacias receberiam prédios novos. A entrega das novas instalações estava prevista para ocorrer desde o dia 15 de maio deste ano. Inicialmente, a idéia era instalar as três delegacias especializadas em um mesmo imóvel. Mas o governo mudou os planos e manteve apenas as Delegacias do Idoso e de Crimes Homofóbicos juntas.
“As novas instalações são importantes para evitar que os homossexuais sofram nova violência quando forem buscar ajuda na polícia. Assim como as mulheres, era comum o fato das vítimas de crimes homofóbicos serem consideradas culpadas das próprias agressões que sofreram. Na delegacia especializada, eles recebem o atendimento com respeito que merecem”, destaca a representante dos travestis.
“A Paraíba saiu na frente de outros Estados no combate ao preconceito sexual. Aqui, ela criou uma delegacia especializada em homofobia e formou um delegado especial no assunto. Isso mostra que as políticas e o empenho de diminuir os casos não são passageiros, mas permanentes e sólidas”, acrescenta ela.
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