Mano ganha na seleção menos do que ganhava no Corinthians

A CBF pagará pouco mais de R$ 300 mil por mês para o novo técnico da seleção brasileira, Mano Menezes, segundo a Folha apurou.
O valor do salário é inferior ao que o treinador recebia no Corinthians (R$ 350 mil). E é um pouco superior ao montante recebido por Dunga, o antecessor de Mano. Representa menos da metade do que ganha Luiz Felipe Scolari no Palmeiras. É também inferior aos ganhos de Muricy Ramalho no Fluminense. Ambos disseram não, direta ou indiretamente, à seleção.
No contato com Mano, na sexta passada, o presidente da CBF, Ricardo Teixeira, não discutiu o salário. O convite foi aceito de imediato.
O cartola já sabia quanto o treinador ganhava no Corinthians pela proximidade com o presidente Andres Sanchez. Pessoas ligadas ao treinador, por sua vez, já têm conhecimento de que ele ganhará cerca de R$ 300 mil.
A cúpula corintiana também tem a informação de que os vencimentos do treinador serão um pouco inferiores aos que ele recebia no clube.
Ainda não foi assinado um compromisso entre Mano e a CBF com o valor preciso do salário nem foram discutidos detalhes contratuais. Ele será contratado com carteira assinada e sem multa contratual, como é o padrão da CBF com seus treinadores.
Apesar da falta de assinatura, não há possibilidade de discordâncias entre as duas partes sobre esses pontos.
No Corinthians, Mano, 48, também tinha direito a prêmios por títulos ganhos.
Na seleção, em compensação, poderá explorar sua imagem em propagandas, a exemplo do que fazia Dunga.
Será o agente do treinador, Carlos Leite, quem fará contatos para publicidade do treinador. Antes, ele negociava seus contratos, o que não fará mais pelo menos até 2014, desde que Mano permaneça no cargo até a Copa.
Até agora, não houve procura do treinador por parte de anunciantes, o que costuma ocorrer mais próximo de competições importantes.
Dunga, demitido após o fracasso na Copa-2010, aumentou consideravelmente o valor de seus ganhos como garoto-propaganda de patrocinadores da seleção.
Leite não participou da negociação com a CBF, conduzida diretamente por Mano, por telefone. Além da questão salarial, a proximidade de Teixeira com a diretoria corintiana também facilitou o contato com o treinador.
Com Muricy, o presidente da CBF teve que enviar um funcionário da assessoria de imprensa para ir ao Maracanã, no jogo Fluminense x Cruzeiro, na quinta retrasada, para lhe entregar um convite para reunião no dia seguinte. O celular do técnico que a entidade tinha estava desligado por conta do jogo.
Com Mano, Teixeira foi atendido de imediato em ligação no dia seguinte.
Ontem, na CBF, discutiram apenas questões sobre a comissão técnica, em seu segundo encontro cara a cara.