Aves que vêm se reprodizir na PB correm risco de extinção


As aves migratórias como o Bigodinho (Sporophila lineola), Caboclinho Lindo, Papa Capim, Chorona, Coleirinho Mineiro, Gaturão, Acorda Negro, entre outras, que vem se reproduzir no estado da Paraíba no período chuvoso correm risco de extinção.
O alerta é do Ambientalista Aramy Fablicio que conhece bem essas aves e as observa desde a década de setenta. Segundo ele, cada ano que passa diminui o número de aves migratórias devido aos predadores humanos que apreendem ou caçam essas aves para comercializar clandestinamente.

Os capturadores de aves estão cada vez mais com equipamentos sofisticados, como gaiolas com oito alçapões, redes que capturam de beija-flor a gavião, o que importa é a quantidade e a biodiversidade de aves capturadas, pois assim se ganha mais dinheiro. O mais preocupante é que essas capturas ocorrem justamente no período da reprodução.
“O alvo dos predadores é a ave Bigodinho, por ser uma ave de canto alto e belo e de uma plumagem que chama a atenção. O Bigodinho habita campos abertos e se alimenta de sementes de capim, geralmente vem da região do pantanal para se alimentar e se reproduzir aqui no estado da Paraíba. Ele demarca seu território onde faz o ninho, por isso se torna presa fácil para os predadores humanos.
Quando capturadas são vendidas para compradores das cidades e até são exportadas para outros países. Para conseguir capturar as aves, os predadores aliciam moradores da zona rural em troca de alguns reais. Alguns jovens deixam até de estudar para capturar animais por ver nesse negócio uma forma lucrativa.
Na zona rural de Fagundes, os predadores vêm até do vizinho estado de Pernambuco para capturar os animais. Muitos moradores já estão tomando consciência e até já expulsaram os traficantes. O que preocupa é que em outras cidades os moradores não têm essa mesma consciência”, explica o ambientalista Aramy Fablicio.
Os predadores não têm como alvo apenas as aves migratórias, mas também as aves nativas como o quase extinto Azulão Nordestino, a Pinta Silva, o Galo de Campina, o Xexéu de Bananeira, o Graúna, o Goladinho, a Sabiá, o Tico-Tico, a Guriatã o Periquito Tapacu, entre outras.
Para esse problema ser minimizado, segundo o ambientalista Aramy, “os governos deveriam investir em políticas socioambientais, melhoria na capacitação dos policias florestais, abrir concurso público com critérios que busquem atrair pessoas que realmente tenha interesse com a causa ambiental.

Hoje temos sede do IBAMA e policiais florestais apenas em grandes cidades dos estados, creio que esse trabalho de combate aos crimes ambientais deveria ser descentralizado, em cada município pequeno deveria existir pelo menos uma sede do IBAMA com funcionários para que a população pudesse recorrer em caso de crimes ambientais e melhor fiscalizar.
Apenas ligar para o 0800 da Linha Verde não resolve, pois hoje não temos pessoas suficientes para fiscalizar”. Como melhorar a qualidade de vida no planeta se o homem nem se quer respeita os direitos dos animais, Alega o ambientalista Aramy Fablicio.

Do site Ambiente Já