Pacto informal entre maranhistas e cassistas anula Ricardo Coutinho


Só não vê quem não quer. Maranhistas e cassistas firmaram um pacto informal para anular as pretensões político-eleitorais do prefeito de João Pessoa, Ricardo Coutinho (PSB). E conseguiram o que queriam: Ricardo está isolado, sem discurso convincente, perdendo apoios importantes entre correligionários e partidos da sua base de sustentação, sem ajuda ou cumplicidade moral de grande parte do seu próprio coletivo e, principalmente, caindo no descrédito popular.
É claro que o governador José Maranhão (PMDB) e o governador cassado Cássio Cunha Lima (PSDB) – e nem seus auxiliares mais diretos – chegaram a sentar em torno de uma mesa para planejar o fim político de Ricardo. Isso seria maldoso demais. Mas dentro do contexto dos acontecimentos dos últimos dez meses, os dois grupos observaram que poderiam deixar momentaneamente seus embates particulares de lado e jogar toda a responsabilidade do processo eleitoral nas costas do descuidado Ricardo. Algo mais ou menos assim: “No momento, vamos anular o nosso entrave em comum, que é esse Mago bobo e, lá na frente, a briga é entre a gente, certo?”.
Basta observar que, de dois meses para cá, não está ocorrendo nenhuma grande escaramuça direta entre Maranhão e Cássio. O que é de se estranhar. Se os cassistas dizem que Maranhão comanda um governo ilegítimo, por que têm poupado bombardeios à atual administração? Se Cássio foi cassado por crimes eleitorais e deitou e rolou na administração pública do estado antes de deixar à força o Palácio da Redenção, por que os maranhistas o tem poupado de denúncias?
Enquanto isso, Ricardo é bombardeado por todos os lados: do senador Cícero Lucena (PSDB), pré-candidato ao governo e um quase irmão de Cássio Cunha Lima; do próprio governador Maranhão e de todo seus homens de confiança do governo; dos antigos desafetos: Nadja Palitot (PSL), Francisco Barreto (PTN), Aníbal Marcolino (PSL), entre outros; e dos novos adversários, como Sérgio da Sac e Felipe Leitão, ambos do PRP.
Logo após a confirmação de cassação de Cássio e a posse de Maranhão no início de 2009, o normal seria uma seqüência de escaramuças entre os dois grupos… Mas o que se viu foi uma providencial guinada dos holofotes para Ricardo Coutinho, considerado até então o novo na política paraibana, o melhor prefeito da Capital da Paraíba de todos os tempos, uma quase unanimidade dentro e fora do estado… Aquele que poderia mudar o rumo da história e pôr fim à supremacia das famílias quatrocentonas que há décadas ocupam o Palácio da Redenção e mantêm o povo paraibano sob julgo.
Ricardo chegou à prefeitura da Capital levando uma nova mentalidade e uma multidão de auxiliares oriunda das mais diversas camadas da sociedade paraibana. Em quase sua totalidade, gente sem vínculos com as famílias tradicionais da elite do estado. Fez uma excelente administração e mostrou que gente do povo é capaz de governar… Isso incomodou… E muito!
O prefeito de João Pessoa cresceu e era a bola-da-vez para ocupar o comando do destino paraibano. Claro que levando para as hostes governamentais os mesmos métodos empregados em seu governo socialista que se iniciou em 2005 e com o mesmo leque de auxiliares vindo das camadas populares da Paraíba.
É claro que as famílias quatrocentonas que são sustentadas pelos grupos maranhista e cassista não iam suportar mais essa. Então, o pacto informal, o acordo branco, para impedir a progressão dos neoburgueses de Ricardo, começou a se desenhar.
Ricardo não percebeu. Seu coletivo mais chegado do círculo do poder cegou. E todos engoliram a isca de Cássio e de Maranhão, com a ajuda e o sarcasmo dos democratas do senador Efraim Morais (DEM). Ricardo está sem discurso, caindo no descrédito popular e só quem ganha com isso são os mesmos de sempre: Cássio, Maranhão, Cícero, Efraim e todas aquelas tradicionais famílias que só sobrevivem mamando nas tetas do erário.
Ricardo está a um passo de concretizar sua anulação político-eleitoral. E quando isso ocorrer em definitivo – provavelmente em meados de abril – aí o tirinete volta a pegar fogo entre cassistas e maranhistas… Por enquanto, o pacto é engambelar o Mago bobo e os líderes do coletivo socialista; líderes que estão cegos pelo poder e que encaminharam o chefe para uma armadilha. Um caminho sem volta, pois a população não aprova os fracos e os bobos.

Maria de Assis Codorna