No ano em que Várzea celebra seu centenário, o resgate de histórias reais ganha ainda mais significado. Mais do que lembrar datas e feitos, o momento convida a reconhecer pessoas — homens e mulheres que, com suas trajetórias, ajudaram a construir o município ao longo de 100 anos. É com esse propósito que o Blog Jefte News dá início ao projeto “100 anos, 100 histórias”, e entre os relatos que já começam a emocionar, está a história de Fábio Medeiros da Costa, o conhecido Fabinho, filho de Neraci.
Nascido em 23 de fevereiro de 1980, no município de São Mamede, Fábio construiu sua vida com forte ligação com Várzea, cidade onde viveu momentos marcantes e formadores. Sua infância foi descrita como rica e feliz, vivida entre as praças da cidade, os corredores das escolas Odilon e Sandoval, e os sítios dos avós. Cercado por familiares e amigos, cresceu em um ambiente de afeto, simplicidade e convivência comunitária — características que ainda hoje definem o espírito varzeense.
Mas a vida também lhe apresentou desafios precoces. Durante a adolescência, Fábio enfrentou a dor da perda prematura de sua mãe, um momento que mudou completamente o rumo de sua história. Diante disso, precisou amadurecer rapidamente, assumindo responsabilidades pessoais e familiares. Foi nesse período que começou a trabalhar ao lado do pai, inicialmente como entregador de carnes e, posteriormente, como atendente no açougue da família, experiências que moldaram sua personalidade e fortaleceram valores como responsabilidade, respeito e dedicação.
Ao longo dos anos, Fábio não se limitou ao trabalho. Sua participação ativa na vida cultural e social de Várzea demonstra seu compromisso com a comunidade. Ele esteve presente em gincanas, desfiles e apresentações culturais em todo o município, contribuindo para manter vivas as tradições locais. Representou a Escola Odilon de Figueiredo em uma gincana do conhecimento promovida pela Rádio Espinharas, em Patos, levando o nome de Várzea para além de suas fronteiras. Também teve atuação importante junto à juventude, como animador de grupos na capela de São Francisco, incentivando a participação de jovens em atividades religiosas e sociais.
Quando fala sobre suas conquistas, Fábio destaca algo que vai além de títulos ou bens materiais: o conhecimento adquirido ao longo da vida, especialmente por meio da educação pública de Várzea. Ele reconhece que foi essa base que abriu caminhos para sua trajetória profissional e pessoal, permitindo inclusive vivenciar experiências em outras localidades do Brasil e até fora do país. Os trabalhos voluntários que realizou também tiveram papel fundamental no desenvolvimento de habilidades que hoje utiliza na resolução de problemas e na convivência em diferentes ambientes.
Com olhar atento ao desenvolvimento do município, Fábio observa que Várzea cresceu significativamente ao longo dos anos. Ele destaca a chegada de novos equipamentos públicos, o fortalecimento das manifestações culturais e o avanço da educação, com mais jovens ingressando em escolas técnicas e universidades, dentro e fora do estado. No entanto, também faz reflexões importantes sobre os desafios atuais, como o agravamento das secas, que exigem novas estratégias de convivência, e a necessidade urgente de preservação do bioma caatinga, diante do avanço da degradação ambiental, mesmo com iniciativas de valorização dos patrimônios naturais e arqueológicos.
Suas memórias são marcadas por momentos de alegria e também de dor. Entre as lembranças mais felizes, estão as festividades tradicionais de Várzea, como o João Pedro, as celebrações do padroeiro São Francisco e as noites de Ano Novo, ocasiões que reuniam amigos e familiares e criavam memórias afetivas inesquecíveis. Ele também recorda com carinho as tradições familiares, especialmente os momentos em que todos se reuniam para preparar comidas típicas à base de milho, como filhos e urêa-de-pau, fortalecendo laços e mantendo viva a cultura local. Por outro lado, carrega consigo lembranças difíceis, como os sepultamentos de seus pais, momentos de profunda dor que marcaram sua vida.
Ao falar sobre as pessoas que foram fundamentais em sua caminhada, Fábio cita com gratidão seus pais, Chiquinho e Neraci, seus irmãos Fabiano e Fabrício, além de sua avó Iraci e sua tia Verônica — figuras que foram base de apoio, amor e ensinamentos ao longo de sua vida.
Sobre o legado que deseja deixar, Fábio é direto e inspirador: quer ser lembrado como uma pessoa resiliente, cheia de esperança e que acredita na educação como instrumento de transformação e libertação. Seu conselho para as novas gerações reforça esse pensamento: estudar para transformar, dançar para aliviar as tensões do dia a dia, rir e conversar para fortalecer os laços humanos.
Para ele, Várzea representa muito mais do que um lugar no mapa. É seu berço, sua base de conhecimento, um espaço de memórias afetivas e também de descanso — um ponto de retorno e pertencimento. Ao olhar para o presente, destaca com orgulho o crescimento da juventude, cada vez mais engajada nos estudos, e reconhece a importância de uma gestão pública que busca cuidar da população. Já para o futuro, sonha com uma cidade mais sustentável, com proteção ao meio ambiente, reflorestamento da caatinga e maior segurança hídrica.
A história de Fábio de Neraci traduz exatamente o espírito do projeto “100 anos, 100 histórias”: valorizar trajetórias reais, feitas de desafios, superações, contribuições e amor pela terra. Histórias que, juntas, constroem a grande narrativa de Várzea.
E esse projeto precisa de mais vozes. O Blog Jefte News convida toda a população a participar dessa iniciativa histórica. Se você tem uma história ou conhece alguém que merece ser reconhecido, este é o momento de compartilhar. Cada relato é uma peça fundamental na construção da memória coletiva do município.
As histórias podem ser enviadas pelo WhatsApp: (83) 98217-6058.
Porque celebrar 100 anos de Várzea é, acima de tudo, reconhecer e eternizar as pessoas que fizeram e continuam fazendo essa história acontecer.
